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Desafio de engenheiro brasileiro é projetar caminhão da Mercedes na China

O engenheiro brasileiro Julio Barreiro conta como, às vésperas da aposentadoria, foi para a China ajudar a criar o novo caminhão da empresa onde trabalha, a Mercedes.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

Às portas das aposentadoria, o engenheiro brasileiro Julio Barreiro viu-se diante de um desafio que muitos teriam recusado a essa alturas do campeonato: mudar-se para a China. Teria de trabalhar no projeto de um novo caminhão que será fabricado em breve no mercado chinês pela Mercedes, empresa onde está há 34 anos. Quando a oportunidade apareceu pela primeira vez, nem sequer considerou. Mas quando viu a vaga passar de novo, por um email geral da companhia, não resistiu.

Com o apoio dos dois filhos criados e da mulher Lurdes, que veio com ele, decidiu começar tudo de novo. Foi assim que se sentiu, pois acreditava que precisaria encarar o novo emprego como alguém que tivesse 30 anos. Esse, na cabeça dele, que hoje tem 58 anos, era o perfil de quem se lançaria numa aventura dessa envergadura.

"Nunca pensei em vir trabalhar na China. De primeira, não me interessei, e, mais para frente, acabou aparecendo uma oportunidade onde eu me encaixava muito na vaga. E hoje estou fazendo parte desse projeto que produz a parte interior deste veículo que vamos produzir na China", diz.

Julio tem que pensar no projeto completo do caminhão. O objetivo é tentar fazer na China um veículo como o alemão, mas que seja mais competitivo no mercado chinês. A diferença de preços entre caminhão importado da Europa e o fabricado aqui é de mais de 100%. E as marcas chinesas dominam o mercado.

"A ideia é fazer um caminhão diferente, mais próximo do que é o caminhão europeu, com todos os benefícios que envolvem qualidade, segurança, conforto e consumo de combustível", declara.

Ferramenta de trabalho

Julio lembra que, diferentemente de um automóvel de passeio, o caminhão é uma ferramenta de trabalho. Por isso, precisa ter características que façam dele uma ferramenta eficiente. Faz parte do seu trabalho descobrir onde é possível cortar custos, sem interferir nas funções e na alta qualidade do veículo. Detalhes cromados do acabamento, comuns nos veículos na Alemanha, aqui podem passar a ser de plástico. Outro desafio é buscar os fornecedores de peças chinesas com qualidade equivalente à encontradas por eles na Alemanha.

"Profissionalmente, está sendo muito interessante. Conhecer a China pelo lado mais profissional, do lado das empresas que estão aqui para produzir coisas de qualidade, onde eles também se encaixam. A gente tem uma mentalidade de que a China só faz produtos de alta qualidade, mas não, eles também estão evoluindo e produzindo muita coisa de qualidade", afirma.

Nas suas andanças pelo interior da China atrás dos seus fornecedores, Julio descobriu que o país se prepara para um salto tecnológico. É claro que ainda há as fábricas ruins, mas há muitas empresas sérias, segundo eles, capazes de produzir itens tão bons ou até melhores do que o que se encontra lá fora.

O novo projeto do caminhão ainda não saiu. Não depende apenas do setor de Julio. Falta bater o martelo sobre a parte externa do veículo e um dos itens mais importantes: o motor. Na China, a alemã trabalha associada a uma empresa chinesa, como qualquer outra companhia estrangeira. Juntas, criaram a BFDA há oito anos. O novo caminhão, que deve ser um pouco menos largo do que o chinês, para ficar nos padrões internacionais, pode sair do papel em mais um par de anos. Este deve ser o prazo de Julio na sua aventura pela China.

"Se for apontar uma dificuldade para mim na China é que eu e minha esposa moramos aqui, mas deixamos nossos filhos, que já são crescidos, formados, têm suas profissões, e um é até casado, no Brasil. A maior dificuldade é a distância para familia. Está certo que hoje é encurtada por WhatsApp e Skype, mas acaba que a distância prejudica um pouco isso", afirma.

Mesmo assim, o engenheiro não tem dúvida de fez a coisa certa. Além do salário melhor e da vida diferente que leva em Pequim, viu que a oportunidade que se abriu para ele aqui talvez não fosse se repetir no Brasil, que atravessa uma crise econômica há pelo menos três anos. No setor dele em São Paulo, há apenas um gerente, quando pouco menos de dois anos atrás, havia quatro. E os 45 funcionários foram enxugados para 11.

 

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