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Bashar al-Assad Síria Vladimir Putin Guerra civil

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Ghuta: Putin promete trégua a partir de terça-feira

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Segundo os médicos, pelo menos 14 pessoas, em Ghuta, apresentaram sintoma de envenenamento com gás de cloro, inclusive uma criança, que morreu. REUTERS/Bassam Khabieh

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenará a instauração a partir desta terça-feira (27) de uma trégua humanitária em Ghuta Oriental, reduto dos rebeldes que são alvo de uma intensa ofensiva na Síria.


"Sob ordem do presidente russo e com o objetivo de evitar perdas entre os civis de Ghuta Oriental, uma trégua humanitária será instaurada a partir de 27 fevereiro, das 09H00 às 14H00 (local)", indicou o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, citado pelas agências russas.

Segundo Shoigu, "corredores humanitários" serão estabelecidos para permitir a evacuação dos civis. "As coordenadas estão prontas e serão divulgadas em breve", precisou.

Esta medida é anunciada após a adoção no sábado pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução exigindo "sem demora" um cessar-fogo humanitário de um mês na Síria, enquanto mais de 550 civis foram mortos em oito dias de ataques do regime neste reduto rebelde, localizado perto de Damasco.

O texto do Conselho de Segurança precisou de mais de quinze dias de negociações para obter a aprovação da Rússia, aliada do regime de Bashar Al-Assad.

Os ataques aéreos e disparos de artilharia do regime em Ghuta Oriental continuavam nesta segunda-feira (26), apesar de aparentemente terem diminuído de intensidade, fazendo 22 mortos entre civis, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Entre as vítimas estão nove pessoas de uma mesma família: eles morreram sob os escombros de sua casa, atingida por ataques noturnos, segundo a ONG.

De acordo com um correspondente da AFP, os civis de Duma estão abrigados em subsolos, temendo as bombas do regime. Poucos são os moradores que se aventuram nas ruas desertas em busca de alimento.

“Inferno na Terra”

Pouco antes do anúncio de Moscou, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a resolução da ONU deveria ser aplicada "imediatamente".

"Espero que esta resolução seja aplicada imediatamente para tornar possível prestar ajuda e serviços humanitários", declarou Guterres, acrescentando que "as resoluções do Conselho de Segurança só têm sentido se são efetivamente aplicadas".

"Ghuta Oriental, em particular, não pode esperar. Já é hora de acabar com este inferno na terra", insistiu.

As forças do regime de Bashar Al-Assad iniciaram em 18 de fevereiro uma intensa campanha aérea contra Ghuta, prelúdio, segundo a imprensa estatal síria, de uma ofensiva terrestre para reconquistar este território de 100 quilômetros quadrados, próximo a Damasco.

A campanha do regime, apoiado militarmente por Moscou, tem tido graves consequências, mesmo para um país devastado desde 2011 por um conflito que já deixou 340 mil mortos.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, também defendeu a aplicação imediata da trégua de 30 dias na Síria para permitir a entrega de ajuda humanitária e as retiradas médicas.

"A resolução foi um primeiro passo necessário e promissor, mas deve ser imediatamente implementada", disse Mogherini.

Mais uma trégua

Várias tréguas foram adotadas na Síria nos sete anos de conflito, quase sempre terminando em fracasso.

O cenário em Ghuta recorda o de Aleppo (norte) em 2016: Moscou estabeleceu uma trégua unilateral para permitir a evacuação de civis e a retirada de combatentes, antes que o regime reassumisse o controle total da cidade.

Nesta segunda-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou sua "profunda preocupação" com os contínuos bombardeios no leste da região. Paris deve enviar na terça-feira à Rússia, seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, enquanto a França e a Alemanha pediram a Moscou para exercer "pressão máxima" sobre a Síria para uma aplicação "imediata" da trégua.

Gás de cloro?

No domingo à noite, 14 casos de asfixia, incluindo o de uma criança, que morreu, foram relatados pelo OSDH, após um bombardeio do regime.

Um médico que tratou os pacientes, Dr. Yaacoub, levantou "suspeitas de uso de armas químicas, provavelmente um ataque com gás de cloro".

Um líder do poderoso grupo rebelde islamita Jaich al-Islam, Mohamed Alluche, acusou o regime em sua conta no Twitter.

Moscou, por sua vez, retrucou, declarando que as "informações são falsas".

No dia anterior, o ministério da Defesa havia culpado os insurgentes, afirmando que eles preveem "o uso de substâncias tóxicas para acusar as forças governamentais de usar armas químicas contra a população civil".

Com agência AFP