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China: Xi Jinping pode ficar no poder por tempo indeterminado

A China se prepara para retirar da Constituição o limite de tempo que um presidente poderá permanecer no comando do país. A mudança será submetida a votações no próximo dia 11 de março. Com isso, o presidente Xi Jinping poderá continuar à frente da segunda maior economia do mundo por um período indeterminado. A iniciativa foi o destaque do 13° Congresso Nacional do Povo em Pequim, o evento mas importante da agenda política do país.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

A permanência de Xi Jinping tem apoio no governo para que ele possa conduzir as reformas e contornar os riscos à estabilidade econômica e política do país. No relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, na abertura do Congresso Nacional do Povo, ele disse que a economia mundial ainda se recupera da crise financeira global de 2008 e que há uma série de ameaças a essa recuperação.

Entre elas, as mudanças na condução política de grandes países e o protecionismo crescente. Ele também ressaltou que a própria China ainda enfrenta questões importantes no setor financeiro, que oferecem riscos ao seu crescimento. Esse é um argumento usado dentro do partido para defender a permanência de Xi Jinping no poder. Ele é hoje o homem mais poderoso da China desde Mao Tse-Tung (1949-1976). Há críticas dentro do partido, mas elas não costumam ser feitas abertamente. Os reformistas acham que a mudança constitucional é um retrocesso. Mas não ousaram falar isso em púbico.

População apoia permanência de Xi Jinping

A população é favorável à permanência de Xi Jinping no poder, porque está por trás de um longo período de bonança no país, o que é fato. Ao revelar os dados da economia, o primeiro-ministro Li Keqiang afirmou que a renda da população cresceu a uma média de 7% ao ano na era Xi Jinping, acima do percentual de crescimento do país e da inflação. Mais de 12 milhões de pessoas foram retiradas da linha de pobreza no ano passado. Mas há também os críticos. Muita gente usou as redes sociais para rejeitar a ideia, e nos últimos dias, vários comentários estão sendo retirados do ar pelos filtros da censura.

Era Xi Jinping

Xi Jinping assumiu o comando do país no final de 2012, cumpriu seu mandato de cinco anos, e acaba de dar início ao segundo mandato. O relatório de trabalho do governo da China para 2018 fez um balanço dos últimos cinco anos, a era Xi, destacando a nova era do socialismo com “características chinesas”, que englobam emendas que serão as primeiras mudanças aprovadas pelos 2.800 parlamentares do Congresso Nacional do Povo em 14 anos na Carta.

Como funciona o Congresso do Povo

Durante todos esses dias, as principais esferas de poder da China se reunirão em grupos de trabalho. As metas e desafios anuais foram apresentados pelo primeiro-ministro na abertura do encontro, na segunda-feira (5). Agora, serão discutidas novas leis e textos das emendas constitucionais, além de como colocar em prática essas metas, como a de crescimento de 6,5% para 2018.

O universo de 2.800 parlamentares, vindos de toda a China é curioso para o estrangeiros. Vem gente de todos os cantos do país. Entre os vários encontros no Grande Salão do Povo, você vê transitam pelos corredores delegados com trajes típicos. A ideia é mostrar a diversidade étnica da China e tentar convencer o público interno e externo sobre a sua tolerância. Vi pessoas com vestidos longos, chapéus repletos de detalhes de prata, muitas cores, pelas de bichos e até um chapéu com a cabeça de um veado. Os representantes das minorias étnicas quebraram um pouco a monotonia dos paletós escuros e as fardas que se viam desfilando pelo prédio. E mais: grande maioria de homens. Quase não se veem mulheres. E isso foi uma coisa que me chamou muito a atenção. Já sabia que elas não eram numerosas, mas quando se vê todo mundo junto, percebe-se que elas desaparecem. Na segunda fileira em que Xi estava sentado, na abertura, havia apenas duas.

 

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