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Macron reforça parcerias estratégicas e econômicas na Índia

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O premiê indiano Narendra Modi recebe o presidente francês Emmanuel Macron e sua esposa Brigitte em Nova Déli, na Índia, em 9 de março de 2018. ©REUTERS/Adnan Abidi

Emmanuel Macron chegou esta sexta-feira (9) à Índia para uma visita de Estado de quatro dias. A viagem oficial, que dá sequência à da China, em janeiro deste ano, visa consolidar a parceria estratégica francesa com este gigante asiático. Durante a sua permanência na Índia, o presidente francês vai inaugurar a Aliança Solar Internacional, uma iniciativa lançada conjuntamente pela França e a Índia, paralelamente à COP 21.


Por Tirthankar Chanda

Assim como a viagem de Emmanuel Macron à China há dois meses, as apostas desta aproximação são principalmente econômicas e estratégicas. Ao longo das últimas décadas, França e Índia desenvolveram uma parceria estratégica estreita e dinâmica nos campos da defesa, da energia nuclear, da tecnologia espacial e da segurança. Em setembro de 2016, os dois países assinaram um acordo intergovernamental para o fornecimento dos aviões franceses de combate Rafale, da empresa Dassault, cuja entrega deve começar em 2019, de acordo com o fabricante da aeronave.

Em relação aos investimentos, Paris é um dos três maiores investidores estrangeiros na Índia, com um capital social investido de cerca de € 20 bilhões. O Palácio do Eliseu divulgou que mais de 500 empresas francesas estão agora estabelecidas no país asiático, empregando mais de 300 mil pessoas.

Antigos laços

As relações pós-coloniais entre a França e a Índia são antigas, que datam da década de 1950, quando André Malraux foi para a Índia a pedido do general de Gaulle. Na década de 1970, foi a vez de Giscard d'Estaing. Desde então, todos os presidentes franceses visitaram a Índia, pelo menos duas vezes. François Hollande foi o último a visitar Nova Deli, a primeira vez em 2013, e a segunda em 2016, para o desfile do "Dia da República", o equivalente indiano do 14 de julho, data na qual a França foi a convidada de honra.

A Índia, como a China, onde Emmanuel Macron foi em uma viagem oficial no início do ano, é uma potência imprescindível. Nas décadas de 1950 e 1960, o país emergiu como o líder do movimento não-alinhado e, hoje conta com uma economia emergente vital, preparada para se tornar a quinta maior economia mundial, atrás dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, mas à frente da França e da Grã-Bretanha. É nesse contexto que as relações entre a Índia e a França se desenvolveram e chegaram a uma nova etapa na década de 1990, com o lançamento da parceria estratégica.

A visita de Emmanuel Macron faz parte de uma longa história. A ideia desta visita nasceu, de acordo com os assessores diplomáticos do Palácio do Eliseu, durante a passagem por Paris do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que foi um dos primeiros líderes estrangeiros a conhecer o presidente Emmanuel Macron, imediatamente após sua eleição em junho passado. Viajando pela Europa, ele passou por Paris para cumprimentar o sucessor de François Hollande. O gesto mostra a importância que a Índia atribui à sua relação com a França. Ao chegar em Paris, Modi tuítou que “a França é um dos nossos parceiros estratégicos mais importantes".

Foi durante esta viagem que o primeiro-ministro indiano convidou Macron a vistar a Índia para renovar as relações bilaterais e para inaugurar com o presidente francês no domingo, 11 de março, a primeira cúpula fundadora da Aliança Solar Internacional ou ASI. A ASI, lançada como parte da COP 21 conjuntamente pela França e pela Índia, uma plataforma de cooperação entre países em desenvolvimento "com alto potencial solar" e países desenvolvidos com tecnologias que aperfeiçoam este tipo de energia. A inauguração da ASI, que atualmente reúne 64 países, será uma das motivações multilaterais da visita do presidente francês à Índia.