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Encontro entre Kim Jong-Un e Trump é perigo para o mundo

Por Alfredo Valladão

A diplomacia internacional virou jogo de pôquer. O presidente americano vai encontrar o ditador da Coréia do Norte Kim Jong-un, depois de chamá-lo de “gordinho maníaco” e de receber o troco de “velho caquético”.

Agora, os dois líderes, com o dedo no gatilho de armas nucleares, decidiram jogar o cacife inteiro no tapete verde. Um perigo, para eles e para o mundo. Normalmente, essas cúpulas têm que ser preparadas por times de especialistas e diplomatas para evitar surpresas.

Se não der em nada, só vai sobrar a opção de uma guerra. Só que Trump decidiu apertar a mão de Kim sem levar em conta as opiniões de seus aliados – Japão e Coréia do Sul –, da China e até mesmo dos diplomatas e militares americanos. Mais uma vez, o magnata-presidente, que não sabe nada de política externa, mostrou que só age na base da intuição pessoal. É “ou vai ou racha”. Pode até dar certo, mas também provocar uma catástrofe global.

Possibilidade de acordo é incerta

É verdade que a situação estava tão ruim e perigosa, que era melhor dialogar do que sair na porrada, sobretudo com mísseis atômicos. Mas será que um acordo é possível?

Trump anunciou que o objetivo é a Coreia do Norte abandonar o seu programa nuclear. Só que, para Kim Jong-un, esse programa é a única coisa que pode garantir a sobrevivência de seu regime frente ao poderio americano. Será que existe alguma garantia possível que convença Pyongyang a jogar fora o seu seguro de vida?

O líder norte-coreano declarou que poderia desistir das armas atômicas, mas exige em contrapartida não só o fim das manobras militares conjuntas entre a América e a Coréia do Sul, mas também a retirada dos soldados americanos da península coreana.

Abrindo o caminho para uma futura reunificação da Coréia sob a hegemonia de Pyongyang. Claro, são demandas inaceitáveis para Washington. Mas qualquer negociação começa com demandas maximalistas. E negociar é a maneira de aliviar a pressão das sanções cada vez mais pesadas decretadas contra o regime do jovem ditador comunista. Para Kim Jong-un era vital tentar ganhar tempo. Não dava mais para enfrentar a ameaça crescente de paralisia econômica e de um ataque americano, preventivo e devastador.

Para Trump a cartada também tem suas vantagens. Ele pode alegar que o jogo duro de ameaçar a Coréia do Norte de destruição massiva e sufocar sua economia, já está dando resultados. Bem melhores do que as sutilezas diplomáticas de seus antecessores.

E se ele conseguir baixar a bola atômica na região, vai ser um sucesso estrondoso para um presidente considerado boçal e inexperiente. Nada melhor para encarar, com mais tranquilidade, as difíceis eleições legislativas de novembro 2018. Também se não der certo, sempre será possível mobilizar o eleitorado contra a ameaça de uma guerra devastadora.

China vê encontro com reticências

Quem ficou sem saber para onde vai é a China. Pequim, o maior apoio da Coreia do Norte, precisava de uma saída negociada entre Pyongyang e Washington. Mas também queria ter o papel de intermediário indispensável entre os dois lados. O encontro direto Kim-Trump está jogando a China pra escanteio.

O medo de Pequim é que os dois se entendam e que, no final das contas, o regime norte-coreano passe a não depender mais da potência chinesa, mas sim dos Estados Unidos. Graças a um regime de garantias a Pyongyang, Washington se transformaria no grande protetor da península coreana. Uma perspectiva insuportável para os chineses que consideram uma Coréia do Norte vassala como um baluarte insubstituível na sua fronteira norte.

Claro, ainda estamos longe disso. E muito pouca gente acredita que tudo possa correr bem. Mas essa partida de pôquer, já criou as condições para uma nova competição estratégica regional, envolvendo também as outras potências da Ásia-Pacífico. Não é só na política interna que Donald Trump quer governar pela provocação e o caos generalizado.

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