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Venda de armas disparou no mundo em 5 anos, diz instituto sueco

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Soldados do Exército Popular da Libertação da China chegam à Praça Tiananmen, em Berlim, em 3 de setembro de 2015. REUTERS/Damir Sagolj

As vendas de armas, especialmente, no Oriente Médio e na Ásia, dispararam nos últimos cinco anos, alimentadas pelas guerras e tensões, segundo um relatório do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz (Sipri), com sede em Estocolmo, publicado nesta segunda-feira (12).


Em nível mundial, as vendas das armas - em alta desde 2003 - aumentaram 10% no volume no período 2013-2017, segundo o relatório do Sipri. O setor continua dominado pelos Estados Unidos, com 34% de cota de mercado.

O informe do Sipri não se aplica às armas maiores (aviões, sistemas de defesa antiaérea, mísseis etc). A Ásia-Oceania é a principal região importadora (42% do total), à frente do Oriente Médio (32%). A Arábia Saudita se converteu no segundo importador mundial de armas atrás da Índia. Os Estados Unidos são o principal fornecedor dos sauditas (61% das importações), seguido pelo Reino Unido (23%) e a França (3,6%).

Na sexta-feira (9), Londres assinou com Ryad um memorando para a compra pelos sauditas de 48 aviões de combate Eurofighter Typhoon. O acordo provocou acalorados debates e protestos no país. "Os conflitos violentos generalizados no Oriente Médio e o respeito pelos direitos humanos levaram a um debate político na Europa Ocidental e na América do Norte sobre a limitação da venda de armas", disse Pieter Wezeman, pesquisador do Sipri.

Comércio anda bem, apesar das críticas

"No entanto, os EUA e a Europa continuam a ser os maiores exportadores de armas da região e forneceram mais de 98% das armas importadas pela Arábia Saudita", afirmou Wezeman. Na Ásia, a Índia, que, ao contrário da China, ainda não possui uma produção nacional que lhe permita ser autossuficiente, continua sendo o maior país importador de armas do continente.

A Rússia é o principal fornecedor com 62% das entregas de armas. No entanto, os EUA quintuplicaram o fornecimento ao longo do período de cinco anos. "As tensões entre a Índia, por um lado, e o Paquistão e a China, por outro lado, alimentam a crescente demanda da Índia por armas importantes, que ainda não é capaz de produzir", diz outro pesquisador do Sipri, Siemon Wezeman.

Pequim, cujas exportações de armas aumentaram 38%, é o principal fornecedor de armas para a Birmânia, onde uma campanha do exército, descrita como limpeza étnica pelas Nações Unidas, provocou o êxodo de quase 700 mil muçulmanos Rohingyas desde agosto de 2017.