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Entenda o que está em jogo na eleição presidencial russa

Por Silvano Mendes

Os russos vão às urnas neste domingo (18) para escolher o próximo presidente do país. Mesmo se todas as pesquisas oficiais apontam para uma vitória de Vladimir Putin já no primeiro turno, esse pleito, que acontece em plena crise com o Reino Unido, pode ser marcado pelos altos índices de abstenção.

Enviado especial a Moscou

Sete homens e uma mulher concorrem à presidência da Rússia. Além de Putin, de 65 anos, disputam o pleito Vladimir Jirinovski, ultranacionalista de 71 anos, abertamente xenófobo e antissemita, que tenta ser presidente do país desde 1991, mesmo se nunca ultrapassou a terceira posição na disputa. Também está no páreo Sergueï Babourine, de 59 anos, próximo do ex-líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, e que apoiou publicamente Radovan Karadzic, conhecido como o “carniceiro dos Balcãs”, durante o processo de crime contra a humanidade do sérvio.

As novidades vêm do lado do Partido Comunista, que disputa com o candidato Pavel Groudinine, de 58 anos, que substitui o candidato tradicional da legenda, Guennadi Ziouganov, que estava no páreo há mais de 20 anos. Há ainda Gregori Iavlinski, um economista de 65 anos que agrega em seu eleitorado parte da intelligentsia russa, além de Boris Titov, de 57 anos, que se apresenta como o candidato das microempresas.

A nova geração é representada Maxime Souraïkine, de 40 ans, um marxista defensor das ideias de Lênin, e a candidata antissistema Ksenia Sobtchak, de 36 anos, ex-apresentadora de televisão e filha do ex-prefeito de São Petersburgo, que foi a surpresa midiática do pleito.

Já a candidatura do opositor Alexeï Navalny, que aparecia como a única capaz de impedir a reeleição de Putin, ficou fora do páreo. O carismático líder político foi excluído do pleito pela Comissão Eleitoral, acusado de supostos problemas com a Justiça.

Não há pesquisas independentes

Mas nenhum deles se aproxima de Putin, que está no poder desde 1999. Desde o início da campanha o atual chefe de Estado aparece como grande favorito, com mais de 70% das intenções de votos, de acordo com algumas estimativas. O comunista Pavel Groudinine aparece em segundo, com apenas 7% dos votos e, em terceiro, viria o ultranacionalista Vladimir Jirinovski, com cerca de 6%. Ksenia Sobtchak não ultrapassaria os 2% de acordo com esses últimos números.

No entanto, o que muita gente não sabe é que desde 2016 todos os institutos de pesquisa independentes foram classificados como “agentes estrangeiros” na Rússia e podem ser fechados se divulgarem qualquer tipo de estudo. Resultado: instituições como o grupo Levada, que tradicionalmente apresentava pesquisas fiáveis, preferiram não publicar sondagens nesse pleito, temendo represálias da parte das autoridades. Com isso, todos os números que são apresentados até agora para e pela imprensa são produzidos por institutos públicos e próximos do governo.

Apesar dessa particularidade, Putin não se mostrou muito animado para esse pleito e praticamente não fez campanha. Seus raros comícios foram marcados por discursos relâmpagos, com o último deles, na Crimeia, na quarta-feira (14), que durou cerca de dois minutos.

Alguns especialistas afirmam que essa ausência de Putin na campanha, sem participar, por exemplo, de nenhum dos debates na televisão, não representa uma falta de interesse do presidente. Mas, ao contrário, uma estratégia para mostrar que ele se vê como um líder superior aos demais e que não precisaria fazer campanha.

Abstenção é o principal rival de Putin

Mas o principal rival de Putin não seria nenhum dos sete concorrentes, e sim o risco de abstenção, que poderia arranhar a imagem do presidente e levantar questões sobre a legitimidade do pleito. Desde 2002 o país mantém um índice de participação estável, na casa dos 64%. Alguns críticos apontam para possíveis fraudes em alguns pleitos, mas a participação em massa também é fruto de uma campanha para que a população cumpra seu dever de cidadão.

Desta vez não é diferente. Uma enorme mobilização está sendo feita para incitar os eleitores a irem votar, enfrentando o frio siberiano previsto para domingo, com temperaturas que podem chegar a 18 graus negativos em Moscou.

Na capital, aliás, cartazes com os dizeres “Nosso país, nosso presidente, nossa escolha”, podem ser vistos nos corredores do metrô e um painel luminoso gigantesco, com o mesmo tipo de dizeres, clareia dia a noite a avenida Tverskaya, que desemboca no Kremlin. Até as paredes dos hospitais e verso de notas fiscais de supermercados lembram que domingo é dia de voto.

O próprio Putin divulgou, na noite desta quinta-feira (15), um vídeo pedindo que os russos participem do pleito. “Estou convencido de que cada um de vocês se preocupa com o destino do nosso país. É por isso que peço que votem no domingo. Usem seu direito de escolher o futuro!”, declarou o chefe de Estado.

Mesmo assim, se a campanha não funcionar, tudo já está previsto: em 2006 uma lei foi mudada pela administração Putin para diminuir o número mínimo de votantes. Desde então, basta que 50% dos eleitores compareçam para que o pleito seja validado.

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