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Facebook "envelhece", mas ainda domina mercado

Por Taíssa Stivanin

Facebook virou coisa de velho? Lançada oficialmente em 2012, a rede social mais popular do mundo, que no fim de 2017 contava com 2 bilhões e 130 milhões de usuários, parece interessar cada vez menos os jovens entre 18 e 24 anos e é considerada ultrapassada para os adolescentes.

É o que indica um estudo publicado no ano passado pela empresa americana especializada em webmarketing e-Marketer. Os dados mostram que o site criado por Mark Zuckerberg perdeu 3,4% dos usuários entre 12 e 17 anos. De acordo com essas pesquisas, os millenials preferem a rede de fotos Instagram (que pertence ao Facebook) e mais ainda o Snapchat, plataforma de compartilhamento de fotos e vídeos. Nos Estados Unidos, em 2017, com 40,2 milhões de inscritos, o Snapchat se tornou oficialmente mais popular do que o Facebook entre os jovens de menos de 24 anos, o alvo preferido dos publicitários.

A empresa de Zuckerberg tentou adquirir o Snapchat em 2013, quando o aplicativo ainda era desconhecido. A oferta de US$ 3 bilhões não seduziu o criador da plataforma, Evan Spiegel, que recusou a proposta. Qual a razão desse sucesso? Um deles é o fato de que a novíssima geração privilegia a interatividade visual e a interface mais adaptada aos dispositivos móveis, menos presente no Facebook do que em seus concorrentes. Além disso, a presença da família na rede desestimula os adolescentes, que preferem terrenos menos minados para trocar suas experiências.

Segundo Pierre Olivier Cazenave, especialista em redes sociais e criador do Social Media Club, grupo francês de discussões sobre o uso e a evolução das plataformas digitais, o envelhecimento dos usuários do Facebook não indica, entretanto, uma perda de força da rede social, que captura outras audiências com essa tendência. Além disso, globalmente, a queda da utilização entre os jovens pode ser considerada irrelevante.

“Todo mundo se preocupa um pouco, dizendo que esse pode ser o fim do Facebook, que a perda de influência entre jovens é um sinal de declínio. Faço uma leitura diferente. Os jovens não estão desaparecendo da plataforma. Eles passam menos tempo. E quando eles entram no site, já que eles mantêm a conta ativa, é para se comunicar, inclusive com os membros da família. Facebook se transformou, então, em uma plataforma que reúne várias gerações, que interage de maneira fluida. As relações familiares beneficiam da experiência no Facebook, que, originalmente, havia sido elaborado para atrair um público mais jovem”, diz.

O especialista em inovação digital Juliano Kimura, autor de “O Livro Secreto das Redes Sociais”, vai além. Consultor de diversas empresas, inclusive do próprio Facebook, ele questiona os resultados das pesquisas que apontam para essa debandada jovem. “Questiono a base com as quais as informações foram adquiridas, porque a informação mais confiável que pode ser encontrada na Internet é a informação da própria base, que chamamos de informação nativa, que as pesquisas normalmente não utilizam”, observa.

Surfando na tendência

O especialista francês Pierre Oliver Cazenave explica que o Facebook, basicamente, tem dois alvos: os usuários, que possibilitam o acúmulo de audiência na plataforma, e consequentemente, sua monetização. O segundo alvo da rede social são os anunciantes. Em termos de publicidade, o site é um colosso, observa. Sozinhos, Google e Facebook abocanham uma fatia de mais de 70% do mercado mundial.

Para manter essa liderança, um dos objetivos apresentados na conferência anual da rede foi o de “limpar” a plataforma, que se transformou em uma fonte de falsas informações e um território de “haters” das mais variadas cores, credos, raças e religiões. Uma deriva que preocupa Zuckerberg, decidido a virar o jogo. A ideia é justamente favorecer a troca entre famílias e amigos, trabalhando para que o algoritmo privilegie essas publicações em sua timeline, em detrimento dos conteúdos patrocinados e engajados, que levaram a plataforma a ter um papel decisivo em eventos como, por exemplo, a Primavera Árabe.

Essa decisão não coloca em risco a presença dominante no mercado publicitário. Ao contrário, privilegia a experiência do usuário para evitar que ele perca o interesse pelo site, e também para evitar que os jovens fechem definitivamente suas contas. Um dos exemplos é a adoção da ferramenta Story, inspirada no Instagram e no Snapchat, que mostra 24 horas na vida do usuário, pontuada por fotos e vídeos. A máxima “se o serviço é de graça, você é o produto”, se aplica como nunca.

“É interessante perceber a capacidade das plataformas de desenvolver produtos que possibilitam se adaptar aos usuários. Facebook lança novas ferramentas a cada três ou seis meses”, diz Kimura. A capacidade da plataforma de se renovar e de individualizar a experiência de cada membro através de seus potentes algoritmos, também leva Juliano Kimura a crer que essa rede social está longe de perder sua influência. “O Facebook é responsivo ao comportamento do usuário. Nunca ninguém terá um Facebook igual ao outro”.

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