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Malala Paquistão Atentado

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Malala Yousafzai visita Paquistão pela primeira vez desde ataque de 2012

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A nobel da paz, Malala Yousafzai, visita o Paquistão pela primeira vez após ataque talibã em 2012 Foto do 9/12/14 REUTERS/Suzanne Plunkett/

Com lágrimas nos olhos, a vencedora do prêmio Nobel da paz Malala Yousafzai voltou nesta quinta-feira (29) ao Paquistão, seu país natal, de onde partiu em 2012 em circunstâncias violentas. A ativista, hoje com 20 anos, foi levada à Grã-Bretanha após receber um tiro ao voltar da escola, num ataque talibã que a tinha como alvo.


“Estou muito feliz. Não consigo acreditar que estou aqui”, declarou, emocionada, em um discurso pronunciado na residência do primeiro ministro Shahid Khapan Abbasi, em Islamabad. “Durante os últimos cinco anos sempre sonhei em poder voltar a meu país. Se tivesse sido possível, eu jamais o teria deixado”, disse, citando a “beleza” de Swat, cujas paisagens verdes lembram a Suíça.

O chefe do governo paquistanês se disse feliz com o retorno “de nossa filha que tanto trabalhou em nome do Paquistão” e afirmou que Malala Yousafzai receberá “total respeito no país”. A jovem aterrissou ainda de manhã acompanhada dos pais para uma visita que durará quatro dias, sem nenhum aviso prévio “por razões de segurança”. A família só se desloca em companhia da polícia. Ainda não se sabe se Malala voltará à Mingora, cidade onde ocorreu o atentado.

Imagem controversa

Famosa e reconhecida por seus atos no Ocidente, Malala tem uma imagem controversa no Paquistão, onde é considerada por alguns como uma “agente do exterior”, manipulada ou paga para boicotar seu país. Além dos círculos radicais islâmicos opostos à emancipação feminina, Malala é criticada por uma parte da classe média paquistanesa, que a acusa de propagar uma má imagem do país.

Entretanto, vários de seus compatriotas estiveram prontos para a receber, sobretudo na região de Swat e nas redes sociais. “Malala é um símbolo de coragem para todos os paquistaneses e nós estamos muito contentes com sua visita. Sua visita deveria ter ocorrido muito antes”, afirmou Ahmad Shah, amigo do pai de Malala e habitante de Swat.

“Caros paquistaneses, Malala não é sua inimiga. Seus inimigos são os monstros que a atacaram quando ela voltava da escola”, argumentou a internauta Shahira Lashari no Twitter. “Alguns pensavam que isso jamais aconteceria. E alguns nem queriam que acontecesse”, publicou Michael Kugelman, analista e especialista dos conflitos no Paquistão do Wilson Center Washington.

Luta pela educação

Após ter partido às pressas, entre a vida e a morte, Malala passou quase seis anos sem voltar a seu país. “É muito difícil nunca mais ver sua casa, sua família e seus amigos por mais de cinco anos”, declarou em janeiro. Na Inglaterra, onde vive desde 2012, a ativista se tornou um ícone na luta pelos direitos das mulheres à educação, título que lhe concedeu o Prêmio Nobel da paz em 2014, junto com o indiano Kailash Satyarthi.

Malala começou seu combate em 2007, época em que os talibãs controlavam a região de Swat, até então vista como uma destinação turística. Com apenas 11 anos de idade, a jovem mantinha um blog no site da BBC na língua nacional do Paquistão. Sob o pseudônimo de Gul Makai, ela fazia relatos do clima de medo que reinava em sua cidade, dominada pelos extremistas.

O ataque que sofreu não reduziu em nada sua motivação: “A nova geração de paquistaneses é o futuro do país. É por isso que devemos investir na educação dessas crianças”, afirmou, lembrando que os fundos de doação em seu nome já arrecadaram mais de $6 milhões (cerca de R$1 bilhão) para contribuir na educação feminina infantil.