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Faixa de Gaza Palestinos Israel Violências

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Exército de Israel mata 16 e fere mais de 1.400 palestinos em Gaza

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Manifestação de palestinos na Faixa de Gaza degenerou em confrontos com o exército israelense na sexta-feira (30). REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa TPX IMAGES OF THE DAY

O balanço de vítimas de um dos dias mais violentos dos últimos anos na Faixa de Gaza é alto. Na sexta-feira (30), 16 palestinos foram mortos e mais de 1.400 foram feridos por tiros de soldados israelenses. Mais violências podem ser registradas neste sábado (31), perto da fronteira que separa Gaza de Israel. 


Dezenas de milhares de manifestantes palestinos, incluindo mulheres e crianças, reuniram-se na sexta-feira em vários pontos da fronteira de Gaza com Israel para um protesto que deve durar seis semanas. No início deste sábado, dezenas de palestinos voltaram a se concentrar no local. O movimento exige o "direito de retorno" para os refugiados palestinos e denuncia o estrito bloqueio de Israel a Gaza. 

A sexta-feira, primeiro dia da mobilização, coincidiu com o "Dia da Terra", data que lembra a morte de seis árabes israelenses durante manifestações contra o confisco de terras por Israel, em 30 de março de 1976. O protesto degenerou em confrontos com as forças de Israel em vários lugares do enclave. 

O exército israelense afirmou que os manifestantes "rolaram pneus em chamas e atiraram pedras contra a cerca de segurança e as tropas de Israel, que dispararam contra os principais líderes [da manifestação]". Drones também lançaram bombas de gás lacrimogênio para dispersar a multidão. Além disso, três posições do Hamas na Faixa de Gaza foram atacadas, em represália, segundo Israel, às "tentativas de agressão" dos palestinos.

Na quinta-feira (29), as autoridades israelenses já haviam indicado ter reforçado a segurança na fronteira de Gaza, com o envio de dezenas de franco-atiradores, declarando que eles não hesitariam em atirar contra os palestinos que tentassem se infiltrar na fronteira.

Conselho de Segurança não chega a consenso

O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência, a pedido do Kwait, na sexta-feira, para discutir a questão. Embora vários representantes tenham condenado o excesso de violência da parte de Israel, os países não conseguiram elaborar um documento comum.

Já o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fez um apelo por uma investigação independente e transparente sobre o incidentes em Gaza. Em comunicado, ele diz que "a tragédia sublinha a necessidade de revitalizar o processo de paz, com o objetivo de criar condições para um regresso das negociações que vão permitir que palestinos e israelenses vivam lado a lado em paz e segurança.”

Em um discurso na sexta-feira, o presidente palestino Mahmoud Abbas atribuiu a Israel toda responsabilidade pelas mortes. Já a Turquia acusou Israel de "uso desproporcional" da força. A Liga Árabe classificou o ato de "selvagem". 

Palestinos cada vez mais longe da criação de um Estado

Enquanto o Estado de Israel celebrará em maio seu 70º aniversário, os palestinos ainda aguardam a criação de seu Estado, mais incerto do que nunca. O direito ao retorno dos refugiados continua sendo uma exigência fundamental dos palestinos e, para os israelenses, um grande obstáculo à paz.

O status de Jerusalém também é um ponto importante de tensão, especialmente depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu reconhecer a cidade como a capital de Israel e transferir a embaixada americana para o local. A decisão, anunciada em  maio de 2017, enfureceu os palestinos, que querem fazer de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, a capital do Estado ao qual aspiram.