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Israel vai reexaminar plano de expulsão de imigrantes ilegais

Por Daniela Kresch

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai voltar a examinar nesta terça-feira (3) o plano de expulsão de imigrantes ilegais depois de ter, na véspera, anunciado um acordo na ONU e ter voltado atrás horas depois.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O premiê surpreendeu a todos duas vezes nesta segunda-feira. Primeiro, ele anunciou um acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) para solucionar o problema dos 36 mil imigrantes africanos – a maioria da Eritreia e do Sudão – que entraram no país clandestinamente entre 2006 e 2016.

Horas depois, ele congelou esse acordo, deixando todos ainda mais confusos quanto aos próximos passos do governo em relação a essa questão.

Tudo começou de tarde, quando Netanyahu anunciou que Israel não iria mais deportar a maioria dos africanos, o que prometeu fazer em fevereiro, quando aprovou uma medida pela qual os imigrantes ilegais só teriam duas opções: sair de Israel com bilhete só de ida em direção a Ruanda ou Uganda, recebendo uma ajuda de custo de US$ 3,5 mil, ou ir para a prisão. Com exceção de mulheres, crianças e quem conseguiu status de refugiado.

Mas o premiê começou a enfrentar problemas como a oposição da Suprema Corte do país, que suspendeu a deportação há três semanas, e o fato de que os governos de Ruanda e Uganda voltaram atrás da intenção de receber o imigrantes expulsos de Israel em troca de indenizações.

Apelo à ONU

Sem conseguir levar adiante o plano, Netanyahu, então, decidiu partir para outra política, a da ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Pelo anúncio de Netanyahu, esse acordo com a Acnur previa que 16.250 imigrantes seriam enviados para países como Alemanha, Itália e Canadá. Outros 16.250 receberiam status de trabalho temporário em Israel por cinco anos.

Os imigrantes que ficariam seriam distribuídos por diversas cidades em Israel e não ficariam mais concentrados nos bairros mais pobres do Sul de Tel Aviv. Os moradores desses bairros reclamam há anos do aumento da violência, de depredações e da aglomeração por causa, segundo eles, dos imigrantes africanos.

Mas, horas depois de revelar o novo plano, Netanyahu afirmou, através de sua conta no Facebook, que estava congelando a medida. Ele alegou como motivo os protestos quase que imediatos dos moradores do sul de Tel Aviv. Mas, ao que parece, o principal motivo foi a enxurrada de críticas que ele passou a receber de seus aliados de direita.

Pressão de aliados

O ministro da Educação, Naftali Bennet (do partido de extrema-direita Casa Judaica) disse que o acordo com a ONU seria um prêmio para os “infiltrados”, como ele chama os imigrantes. Eles receberiam incentivo para entrar clandestinamente no país, afirma. Até mesmo a maior defensora do premiê, a ministra da Cultura Miri Regev, reclamou.

A pressão deu certo e Netanyahu, que depende de seus aliados políticos para manter o seu governo, congelou o acordo.

Mas pode ser que, caso Netanyahu decida voltar à ideia de deportação em massa para países da África, mesmo que não para a Eritreia ou o Sudão, onde esses imigrantes dizem correr perigo de vida, voltem a ocorrer as marchas e protestos da sociedade civil contra a medida.

Assim que as deportações foram anunciadas, em fevereiro, milhares de israelenses saíram às ruas para protestar contra isso. Sobreviventes do Holocausto chegaram a dizer que iriam esconder os africanos em suas casas para evitar a expulsão.

Ontem, por algumas horas, ONGs de direitos humanos e manifestantes chegaram a comemorar. Mas durou pouco. Agora, o suspense reina sobre a situação.

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