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Imprensa francesa explica opções de intervenção da França na Síria

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A imprensa francesa avalia se há chances de EUA e França darem uma resposta militar na Síria, após o ataque químico na cidade de Duma. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa analisa nesta terça-feira (10) que tipo de resposta militar França e Estados Unidos podem estar preparando em retaliação ao ataque químico ocorrido em Duma, na Síria, no último sábado. O bombardeio no reduto rebelde deixou ao menos 48 mortos por asfixia e mil feridos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.


Com uma imagem terrível de capa, em que um menino sírio aparece morto, com a boca e o nariz cobertos por uma baba branca – sintoma evidente de morte por asfixia –, o jornal Libération informa que as imagens recebidas pela redação após este novo ataque químico são insuportáveis.

Há cerca de um ano, o Libération havia mostrado fotos semelhantes, de crianças mortas pelo regime de Bashar Al-Assad num bombardeio com gás. Indignado, o jornal francês questiona quantas imagens como essas a imprensa mundial terá de exibir para convencer as democracias ocidentais a fazer alguma coisa para "estancar a loucura mortífera do ditador de Damasco".

O Libération afirma que, se americanos e franceses fizerem bombardeios em alvos específicos na Síria, em retorsão ao ataque químico de Duma, "eles terão razão, mesmo se essa decisão chega tarde". "Se a diplomacia ainda serve a alguma coisa, está na hora de desarmar as reações da Rússia e fazer o que é necessário", conclui o Libération.

Opções de intervenção

A agência de notícias AFP cita possíveis cenários de intervenção ocidental. Além da ajuda do Reino Unido, Paris e Washington podem querer envolver os países árabes. O ministro da Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, disse que quer "lidar com o problema [...] em cooperação com nossos aliados e parceiros, da Otan ao Catar".

A França poderia enviar aviões de caça Rafale armados com mísseis de cruzeiro Scalp. O alcance desses mísseis, de mais de 250 km, permite atacar sem que os aviões sobrevoem a Síria, cujo céu é protegido pela defesa antiaérea russa. Os caças poderiam decolar da Jordânia ou dos Emirados Árabes Unidos, países que abrigam bases militares francesas.

Paris também pode decidir enviar aviões de seu território nacional e organizar dois ou três reabastecimentos em voo para que eles consigam chegar à zona de ataque. Uma opção que tem o mérito da discrição, diz uma fonte militar. "Na França, ninguém vê o que preparamos."

Outra possibilidade: lançar os bombardeios a partir de uma fragata multimissão (FREMM), equipada com mísseis de cruzeiro navais (MdCN), cujo alcance de várias centenas de quilômetros permite atingir objetivos estratégicos aprofundados, permanecendo em águas internacionais no Mediterrâneo.

"É dificilmente imaginável que nos contentemos com um ataque simbólico, apenas destruindo uma base aérea, por exemplo, mas ninguém imagina que a França e os Estados Unidos desejem ir tão longe quanto uma operação de mudança de regime. Será alguma coisa de meio termo", diz Bruno Tertrais, da Fundação para Pesquisas Estratégicas.

Segundo ele, os alvos podem ser "bases e centros de comando, evitando a presença russa e a presença iraniana", sob pena de arriscar uma escalada com Moscou.

"Em caso de ameaça aos nossos soldados, as forças militares russas tomarão medidas contra os mísseis e seus vetores", advertiu em março o chefe do Estado-Maior da Rússia, general Valeri Guerassimov, citado pelo site Sputnik.

Batalha no Conselho de Segurança

Le Monde considera que o presidente americano, Donald Trump, está sob pressão de parlamentares do Congresso que desejam que Washington tome uma posição mais firme diante do que a Rússia e o Irã têm endossado na Síria, na qualidade de aliados de Bashar Al-Assad. O jornal cita o tuíte do senador republicano da Carolina do Sul, Lindsey Graham, pedindo a Trump que tire as consequências necessárias, senão estará enviando uma imagem de fraqueza aos russos e iranianos.

Para o Le Monde, se a Rússia vetar a resolução americana que está em discussão no Conselho de Segurança da ONU, o que é provável, Estados Unidos e França terão uma desculpa para agir. Trump advertiu Damasco, Moscou e Teerã que eles irão pagar um preço alto pelo uso de armas químicas contra a população síria.

Hoje, a Rússia informou que apresentará um outro texto, que exigirá uma investigação, implicando a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Moscou declara não ter encontrado nenhum vestígio de arma química em Duma e afirma que Trump se recusa a aceitar a realidade.  

O jornal Le Parisien exibe em primeira página a imagem de um bebê sendo socorrido após o ataque em Duma, afirmando que o presidente francês, Emmanuel Macron, está contra a parede, já que ele mesmo prometeu que não iria tolerar novos ataques químicos contra os sírios. O chefe do Estado-Maior francês, general François Lecointre, afirma que os planos de ataque estão prontos, conforme relata o Le Parisien. Por outro lado, um especialista em geopolítica ouvido pela reportagem, Didier Billon, considera que uma intervenção militar franco-americana na Síria seria "um grave erro".

Sanções americanas derrubam Bolsa de Moscou

O jornal Les Echos informa em primeira página que a decisão do governo americano de aplicar sanções econômicas a oligarcas e empresas russas, na última sexta-feira (6), provoca sérias perdas à Rússia.

A Bolsa de Valores de Moscou caiu ontem 8%, o rublo perdeu valor e pessoas próximas do presidente Vladimir Putin estão sendo penalizadas. As ações da gigante russa de alumínio Rusal, uma das maiores do mundo, despencaram. As sanções, destinadas a 38 pessoas e empresas que não poderão fazer negócios com entidades e indivíduos nos Estados Unidos, foram um novo passo na escalada de tensão entre as duas potências.