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Dia do Holocausto: Israel para em lembrança aos 6 milhões de judeus mortos

Por RFI

Os israelenses lembram, nesta quinta-feira (12), o Dia do Holocausto, quando homenageiam os 6 milhões de judeus que morreram há mais de 70 anos. O Dia do Holocausto, em Israel – ou Yom Hashoá, em hebraico – é lembrado com 24 horas de eventos oficiais, programação especial nas TVs e rádios e encontros com sobreviventes.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel-Aviv
 

A maior tradição é o minuto de silêncio às 10h da manhã, horário local, que já aconteceu nesta manhã, como todos os anos.

Assim que uma sirene soa por todo o país, a grande maioria dos israelenses para tudo que está fazendo e fica de pé em silêncio nas ruas, em escolas, escritórios, lojas e outros lugares.
 
Carros param em ruas e até mesmo em estradas e seus motoristas e passageiros também ficam de pé do lado dos veículos.
 
Durante todo o dia, nas TVs e rádios só há filmes, programas e documentários que lidam com o tema do Holocausto. No Knesset, o Parlamento, os nomes de parte dos mortos são lidos em voz alta.
 
A tradição começou em 1953, apenas cinco anos depois da criação de Israel e oito anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
 
O Yom Hashoá começa, na verdade, ao anoitecer da véspera – como de praxe em datas pelo calendário judaico.
 
Nesta quarta-feira à noite, então, aconteceu o primeiro evento: a sessão solene com sobreviventes no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Restaurantes, cinemas e outros locais de entretenimento fecharam.
 
Hoje à noite, a data será encerrada com outro evento oficial.

População judaica diminuiu
 
Pelo mundo, o Dia de Lembrança do Holocausto é 27 de janeiro. Mas a data especificada pela ONU lembra todos as vítimas dos nazistas, enquanto a data israelense foca especificamente nos judeus.
 
A ideia é ensinar as novas gerações a não esquecer o genocídio de seis milhões, um terço de todos os judeus do mundo e dois terços de todos os judeus da Europa na época.
 
Apesar de já terem se passado mais de 70 anos do fim da segunda Guerra Mundial, a população judaica mundial continua menor do que era às vésperas do Holocausto.
 
Hoje, há cerca de 14 e meio milhões de judeus, dois milhões a menos do que em 1939.
 
Atualmente, 44% dos judeus moram em Israel. A segunda maior comunidade judaica fica nos Estados Unidos, seguidos de França e Canadá.
 
Na América Latina, o país com maior comunidade judaica é a Argentina, com 180 mil. O Brasil é o lar de cerca de 120 mil.
 
Sobreviventes do Holocausto

Em Israel, ainda estão vivos cerca de 170 mil sobrevientes do Holocausto. Pelo mundo há mais outros 150 mil.
 
Por aqui, muitos deles vivem abaixo da linha da pobreza. ONGs de diretos humanos afirmam que o governo israelense não faz o suficiente para ajudá-los.
 
Mas a geração que viu tudo de perto está realmente desaparecendo, e rápido. Nos dois últimos anos, 26 mil sobreviventes faleceram.
 
As autoridades israelenses assinalam justamente que nunca foi tão importante ensinar as novas gerações sobre o que aconteceu.
 
Uma das maneiras é incentivar e subsidiar a visita anual de milhares de estudantes israelenses para o local onde funcionou o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia. É a chamada ‘Marcha da Vida”.
 
Iniciativas da sociedade civil
 
Há muitas iniciativas da sociedade civil. A mais conhecida é a “Memória na sala”, que começou há nove anos por um grupo de jovens que sentia a necessidade de ouvir histórias de vida diretamente dos sobreviventes, sem o ranço dos eventos oficiais.
 
Eles decidiram convidar um sobrevivente para contar sua história na sala da casa de um dos organizadores e convidaram 40 amigos.  No ano seguinte, vários encontros desses foram realizados.
 
Hoje, são quase cinco mil casas por todo o país e mais centenas no exterior em países como Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia e até Índia.
 
Pessoas se voluntariam para receber sobreviventes e convidados, segundo um passo a passo fornecido pela ONG “Memória na sala”.
 
Quando não há um sobrevivente na região, são convidados filhos de sobreviventes, estudiosos ou professores.
 
Segundo os organizadores, objetivo é tornar a lembrança do Holocausto algo mais palpável e pessoal para manter a memória viva e evitar que a História se repita.

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