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70 depois da criação de Israel, paz regional permanece maior desafio

Israel comemora 70 anos de independência nesta quinta-feira, 19 de abril, segundo o calendário judaico. A data é marcada por uma série de celebrações no país, criado após a Segunda Guerra Mundial. Mas apesar da prosperidade econômica, social e tecnológica neste período, o grande desafio permanece a paz regional.

Daniela Kresh, correspondente em Tel Aviv

Há muitos desafios. Israel é um país que surgiu três anos depois do Holocausto nazista, com apenas 800 mil judeus – numa terra onde também viviam um milhão de árabes. Apesar das guerras e dos traumas passados, o país conseguiu se desenvolver econômica e socialmente, se transformando na única democracia do Oriente Médio e num país avançado tecnologicamente.

Essas vitórias, no entanto, convivem com divisões internas entre diversos grupos sociais, étnicos e religiosos, além da rejeição da maioria do mundo árabe ao Estado, onde 75% de seus cidadãos são judeus.

Comemoração dos 70 anos de Israel teve fogos de artifício em Jerusalém, na noite de 18 de abril. REUTERS/Ammar Awad

O maior obstáculo será, certamente, a tentativa de assinar um acordo de paz com os árabes - não só com os palestinos que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental, que almejam criar um Estado nacional reconhecido por Israel, a Palestina, mas também países vizinhos como Síria e Líbano. A esperança é a de que, daqui a 70 anos, a comemoração do Dia da Independência celebre também a paz no Oriente Médio.

Comemorações dos 70 anos

O Dia da Independência, ou Yom Haatzmaut, em hebraico, é a data nacional – não religiosa – mais importante do país. Ela lembra o momento, em 1948, há 70 anos, em que o primeiro primeiro-ministro de Israel, David Ben Gurion, proclamou a independência do país, seis meses depois de aprovação de um plano pela ONU que previa a criação de um Estado judeu na região da então chamada Palestina. O plano também previa a criação de um Estado árabe ao lado do judeu, mas os árabes não aceitaram e esse outro país ainda não foi formado.

A data da proclamação, pelo calendário gregoriano – que é o usado no Brasil e em quase todo o ocidente – é, na verdade, 14 de maio. Foi em 14 de maio de 1948 que David Ben Gurion fez o anúncio. Mas os festejos em Israel acontecem de acordo com a data pelo calendário judaico em que a proclamação aconteceu: 5 do mês de Yiar.

Como o calendário judaico é regido pela lua e o gregoriano, pelo sol, a cada ano o dia 5 do mês de Yiar corresponde a um dia distinto pelo calendário gregoriano. Este ano, ocorre em 19 de abril.

Festejos se iniciaram na noite de 18 de abril e se estendem por mais 24 horas. REUTERS/Ronen Zvulun

Em geral, os israelenses comemoram com um feriado em que saem ao ar livre para passear, fazer churrascos em parques ou assistir à tradicional apresentação da Força Aérea nacional. As celebrações se iniciam na noite anterior, já que os dias judaicos começam no anoitecer da véspera.

Na quarta-feira (18) à noite, os festejos começaram com a tradicional cerimônia do Dia da Independência no Monte Herzl, em Jerusalém, que teve espetáculos de danças e músicas. Mas o ponto alto é quando 12 pessoas proeminentes do país acendem velas comemorativas – é uma honra ser um dos escolhidos.

Discurso de Netanyahu

A cerimônia deste ano, no entanto, foi marcada por uma polêmica. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insistiu em discursar, o que não é de praxe e não faz parte da tradição do evento, que é apolítico.

Foram meses de embates entre Netanyahu e Yuli Edelstein, presidente do Knesset, o Parlamento do país. Edelstein ameaçou boicotar o evento caso Netanyahu discursasse, mas acabou vencido.

Israelenses comemoram a independência, na noite de 18 de abril, em Jerusalém. REUTERS/Amir Cohen

Netanyahu discursou por 14 minutos, quase o dobro do tempo do presidente do Parlamento. O premiê disse que Israel vai se defender de seus inimigos – numa mensagem direta ao Irã, que tem ameaçado o país depois de uma ataque aéreo numa base iraniana na Síria, na semana passada, atribuído a Israel.

Transferência de embaixada americana sob tensão

Pouco antes das festividades, o presidente americano, Donald Trump, parabenizou Israel pelos 70 anos com uma postagem no Twitter, lembrando que, no mês que vem, vai transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém – uma medida polêmica porque a comunidade internacional acredita que Jerusalém deve ser uma cidade internacionalizada.

A mudança deve acontecer em 14 de maio, dia da Independência pelo calendário gregoriano e um dia antes das manifestações anuais dos palestinos contra a criação de Israel, que eles chamam de ‘Nakba’, ou a tragédia. A transferência pode desencadear uma nova onda de violência em Jerusalém.

Dia da lembrança

As 24 horas anteriores ao Dia da Independência é o chamado Dia da Lembrança, no qual os israelenses lembram, em tom solene e clima triste, a morte de todos os seus cidadãos em guerras ou atentados terroristas desde a criação do país. Em 70 anos, morreram 23.646 soldados em guerras ou conflitos em geral e 3.134 civis em atentados.

Nessas 24 horas, os israelenses que perderam parentes ou amigos costumam ir aos cemitérios para homenageá-los. E, por duas vezes, soam sirenes em todo o país. A grande maioria das pessoas faz um ou dois minutos de silêncio, onde quer que estejam, quando soam as sirenes. Uma dura um minuto e a outra, dois minutos.

Assim que terminam as 24 horas do Dia da Lembrança, começa imediatamente o Dia da Independência, numa passagem simbólica da tristeza para a alegria.

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