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Atentado Afeganistão Cabul Bomba

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Atentado com homem-bomba mata pelo menos 60 civis em Cabul

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Um homem caminha pelo local onde houve o ataque suicida num centro eleitoral de Cabul, Afeganistão , em 22 de abril de 2018 REUTERS/Omar Sobhani

Cerca de 60 civis, a maioria xiitas, foram mortos e 119 ficaram feridos neste domingo (22) em Cabul, em um atentado suicida do grupo Estado Islâmico (EI) contra um centro de inscrição para a eleição legislativa, validando os piores temores de violência por conta desta votação, anunciada para outubro.


Um suicida explodiu na manhã de domingo no meio de uma multidão enfileirada na entrada do centro onde os eleitores tiram seus documentos de identidade antes de se registrarem nas listas eleitorais.

A maioria das vítimas é membro da minoria xiita hazara, regularmente alvo de extremistas sunitas do EI, disseram os ministérios do Interior e da Saúde.

Pelo menos 21 mulheres e cinco crianças estão entre os mortos, disse o porta-voz do Ministério da Saúde, Wahid Majrooh, e 47 mulheres e 16 crianças entre os feridos. O balanço do número de mortos não para de aumentar ao longo do dia.

Agora sabemos que o governo não pode nos proteger", gritou um homem, Akbar, diante do desastre, insultando o presidente Ashraf Ghani, antes de ser interrompido pela televisão (privada) Tolo News.

"Morte ao governo", "Morte ao Taleban", gritou a multidão em torno dele, apontando para os papéis e documentos de identidade ensanguentados no chão.

Taleban se declara inocente

O Taleban informou rapidamente que eles "não tinham nada a ver com o ataque de hoje", culpando implicitamente a responsabilidade do EI: o grupo então assumiu a responsabilidade pelo ataque através de seu órgão de propaganda, Qama.

O ataque ocorreu no bairro predominantemente xiita do oeste de Cabul, Dasht-e-Barchi: "As pessoas foram reunidas para recuperar seu tazkira (cartão de identificação), a explosão ocorreu na entrada do local”.

"Ele era um homem-bomba", disse o chefe de polícia de Cabul, Dawood Amin.

De acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Najib Danish, "o kamikaze chegou a pé e explodiu sua carga no meio da multidão", causando danos significativos.

Este é o primeiro ataque em Cabul contra um centro que prepara listas de eleitores para as eleições legislativas de 20 de outubro, desde o início das inscrições, em 14 de abril.

Mas outros dois registros foram alvejados na província na semana passada.

“Voto sem valor”

"Éramos cerca de 200 na fila para pegar nossa tazkira", lembra Ali Rasuli, 29, atingido nas pernas e peito. "A polícia não procurou ninguém", acusou.

É claro que a falta de segurança é nosso primeiro desafio e nossa maior preocupação, especialmente no campo", admitiu recentemente o presidente da Comissão Eleitoral, Abdul Bay Sayad, ele mesmo ameaçado de morte.

Estas legislativas são as primeiras desde 2010 e esta eleição, a primeira desde a eleição presidencial de 2014.

Muitos afegãos querem se livrar de um parlamento (249 deputados) julgado preguiçoso e corrupto, cujo mandato expirou faz três anos. Mas eles temem ainda mais um voto que não valha nada, confiscado por fraude e que os exporá a uma violência redobrada.

Diante do entusiasmo medido de seus compatriotas, o presidente Ashraf Ghani ordenou na quinta-feira aos governadores das 34 províncias que acelerassem o processo de registro.

Ele também ordenou que as autoridades se registrassem com suas famílias e os mulás para aumentar a conscientização.

O ataque foi condenado pela Embaixada dos Estados Unidos em Cabul e por funcionários dos EUA da Operação Resolute Support da OTAN, que apoiam fortemente a realização desta eleição legislativa antes da eleição presidencial de 2019.

O último ataque reivindicado pelo grupo EI contra a capital afegã, no primeiro dia do Ano Novo Persa, em 21 de março, havia feito cerca de 30 mortos e ao menos 70 feridos.

(Com informações da AFP)