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Macron visita Trump e imprensa destaca semelhanças entre os líderes

Por Ligia Hougland

Nesta segunda-feira (23), Emmanuel e Brigitte Macron chegam a Washington para festejar os 250 anos de amizade entre a França e os Estados Unidos. Mas a visita do presidente francês à Casa Branca vai envolver assuntos bastante atuais e importantes, desde o comércio à estabilização do Oriente Médio e o Acordo de Paris.

De Washington, para a Rádio França Internacional

Tanto Macron quanto Trump querem também fazer parte da história ao se destacarem como grandes estadistas, apesar de não fazerem parte da tradicional classe política dos seus países.

A visita de Emmanuel Macron está sendo destacada pela imprensa americana, pois é a primeira visita de estado à Casa Branca desde que Donald Trump assumiu a presidência.

Trump é o primeiro presidente em 100 anos a não ter recebido nenhum líder estrangeiro com um evento desse porte durante seu primeiro ano de mandato. Em Washington já se está comentando as diferenças entre Barack Obama e Donald Trump como anfitriões.

Os jantares de Estado de Obama eram grandes eventos para centenas de convidados que incluíam celebridades, como Mary J. Blige, e eram organizados por promotores de evento. O jantar para Macron terá apenas 150 convidados, não contará com nenhuma estrela de Hollywood e está sendo organizado pela própria primeira-dama, Melania Trump. Rompendo com a tradição, Trump não convidou nenhum membro democrata do Congresso.

“Pioneiros”

O presidente francês deu uma entrevista à Fox News na véspera da chegada a Washington, dizendo que ele e Trump são ambos “pioneiros”, pois ganharam as eleições sem serem os candidatos preferidos, além de não fazerem parte do establishment. Isso ajudou a colocar a chegada de Macron à capital americana nas manchetes.

Os dois chefes de Estado se dão bem e falam ao telefone com frequência sobre diversos tópicos, mas especialmente para coordenar assuntos de Defesa. O que eles têm em comum, além de gostarem de glamour, é que estão determinados a cumprir o que prometeram durante suas campanhas, mesmo quando essas promessas não são muito populares entre a população em geral.

O pragmatismo de Macron é compatível com a política de Trump de assumidamente colocar os Estados Unidos em primeiro lugar. Os dois chefes de estado também concordam que a Europa deve investir mais em defesa. Apesar de um ser um intelectual liberal pró-União Europeia e o outro ser um magnata nacionalista, que prefere TV a livros, os dois presidentes têm mais em comum do que é esperado. Além disso, ambos vieram do mundo dos negócios, portanto têm uma abordagem bem diferente da dos políticos de carreira.

“Domador de Trump”

Apesar de Macron ser considerado por alguns analistas como um possível “domador de Trump”, na verdade, não dá para saber se a visita, ou mesmo o bom relacionamento com o presidente americano, vai render algo para a agenda de Paris.

Afinal, Trump é imprevisível. Macron tem reputação de ser especialista em massagear o ego de autoridades, e ele certamente tentou impressionar Trump ao ter o presidente americano como convidado de honra na comemoração da Queda da Bastilha e ao convidar o casal Trump para um exclusivo jantar na Torre Eiffel. No entanto, Trump pode não ser tão vulnerável à bajulação quanto se imagina.

A verdade é que, apesar de toda a camaradagem, até agora Trump não cedeu em nada para Macron e só tem respondido com comentários vagos. Macron precisa calibrar bem sua aproximação com Trump para que ele não pague um preço político pelo relacionamento, sem receber nada em troca.

O comércio vai ser um tópico importante, com a União Europeia bastante insatisfeita com os impostos sobre alumínio e metal, chegando a ameaçar retaliação com impostos sobre bourbon e jeans americanos.

O presidente francês deve pedir que Washington trate seus aliados europeus com mais consideração do que trata a China, que é rival dos Estados Unidos. No entanto, é improvável que Macron peça que o acordo comercial transatlântico seja reanimado, já que os franceses também são céticos quanto à parceria.

Síria e Irã

A questão da Síria vai estar em pauta, pois Macron quer ser assegurado de que Washington vai se comprometer a estabilizar a região depois da derrota do grupo Estado Islâmico, mas a estratégia americana de longo prazo não é clara.

Macron deve fazer o possível para convencer Trump a manter o acordo nuclear com o Irã, que Trump considera “péssimo” e parece estar disposto a por um fim ao acordo em 12 e maio, reimplementando sanções. Na visão de Paris, isso é contraproducente e perigoso. Em Washington, o lobby dos dois lados – a favor e contra o acordo – é forte.

Os dois chefes de Estado também discordam quanto ao Acordo de Paris, que Trump abandonou no ano passado. Macron parece determinado a trazer os americanos a bordo do acordo do clima novamente. Trump, mais uma vez, é evasivo sobre o que vai fazer.

A visita de Estado é importante para os dois. Para Macron porque é uma oportunidade de ele se estabelecer como o canal de comunicação da União Europeia com a Casa Branca, ocupando o lugar que antes era de Angela Merkel, já que a chanceler alemã não conseguiu engrenar um bom relacionamento com Trump. Além disso, os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro na França.

Mount Vernon

Trump está gostando de mostrar favoritismo para a França e dar o recado de que seus aliados são recompensados. Na primeira noite na capital americana, o casal Macron, inclusive, vai ser recebido para um jantar íntimo com o casal Trump, em Mount Vernon, a residência histórica de George Washington, que fica às margens do rio Potomac.

A França investe cerca de 2% do PIB em defesa e demonstrou diversas vezes que está pronta para usar força militar, como quando derrubou Muamar Qadhafi na Líbia, lutou contra terroristas em Mali, faz parte da coalizão contra o grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, além de ter participado dos recentes ataques à Síria em retaliação ao uso de armas químicas.

Trump precisa de fato contar com a lealdade de Macron, não apenas por vaidade pessoal, para mostrar que nem todos europeus o desprezam, mas também porque Paris é um aliado indispensável para Washington.

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