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Coreias vão buscar a paz e península sem armas nucleares

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Os dirigentes coreanos Kim Jong-un (esquerda) e Moon Jae-in se abraçam após divulgar um compromisso histórico de busca da paz e da desnuclearização da península. REUTERS

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmaram nesta sexta-feira (27) que estão comprometidos com a desnuclearização da península, após uma reunião de cúpula histórica. "Os dois líderes declaram ante nossos 80 milhões de habitantes e diante do mundo que não haverá mais guerra na península coreana e uma nova era de paz começou", diz o comunicado conjunto assinado pelos dois dirigentes.


"Coreia do Sul e Coreia do Norte confirmam o objetivo comum de obter, por meio de uma desnuclearização completa, uma península coreana não nuclear", afirma o texto. Eles também se propõem a estabelecer uma paz "permanente" e "sólida" entre seus país ainda tecnicamente em guerra.

Os dirigentes coreanos se abraçaram após o anúncio do comunicado, divulgado depois de uma reunião histórica na zona desmilitarizada de Panmunjom, que separa os dois países, e onde foi assinado o armistício em 1953. Eles também assumiram o compromisso de transformar o armistício em um acordo de paz, colocando um ponto final no conflito.

As discussões para implementar as propostas firmadas ocorrerão assim que possível, informa o documento. Um escritório de contato intercoreano será reaberto em Kaesong, na Coreia do Norte, enquanto as reuniões de famílias separadas pela divisão dos dois países acontecerão no dia 15 de agosto.

Seul e Pyongyang concordaram em "cessar completamente as atividades militares hostis em terra, mar e ar". Até então, o governo norte-coreano criticava com frequência as manobras conjuntas realizadas pelas Forças Armadas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, tratando as manobras como uma ameaça à segurança do país.

Os dois países também prometeram encerrar todas as atividades de propaganda "bélica" veiculadas por rádio, na TV ou pela distribuição de panfletos por via aérea.

Zona militar será transformada em área da paz

A zona desmilitarizada (DMZ) que separa os dois países será transformada numa "zona de paz", enquanto uma zona marítima pacificada será criada perto da fronteira ocidental da linha marítima do Norte para evitar qualquer incidente.

Discussões militares de alto nível serão realizadas em maio. O presidente sul-coreano visitará Pyongyang no segundo semestre do ano, durante o outono no hemisfério norte.

Esta reunião de cúpula entre os dirigentes do Sul e do Norte foi a terceira depois dos encontros realizados em 2000 e 2007, que não resultaram em uma reconciliação entre os dois países.

"Vamos nos esforçar para alcançar bons resultados, mantendo uma comunicação mais estreita para garantir que o acordo assinado hoje, diante do mundo, não se resuma a um simples início [de aproximação] como os anteriores", disse Kim Jong-un.

Mudança drástica

A mudança de tom no encontro entre Kim e Moon, sorridentes e relaxados, é surpreendente, após meses de tensão e ameaças, principalmente pela guerra verbal travada entre o líder norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump. A próxima etapa será um encontro entre Trump e Kim, em local e data ainda não definidos.

Reações

Trump reagiu pelo Twitter, como de costume. "Depois de um ano louco de lançamento de mísseis e de testes nucleares, acontece este encontro histórico entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Coisas positivas estão acontecendo, mas só o tempo permitirá de julgá-las", escreveu o republicano na rede social, acrescentando que os americanos podem ficar "orgulhosos da evolução da situação na península coreana".

A Rússia saudou os resultados desta cúpula histórica, destacando que o presidente Vladimir Putin sempre foi partidário de um diálogo entre Seul e Pyongyang.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse esperar que a Coreia do Norte tome medidas concretas em relação aos compromissos assumidos. Tóquio acrescentou que se manterá em contato com as duas Coreias e os Estados Unidos.