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Norte-coreanos amanhecem sem notícias sobre encontro histórico de Kim e Moon

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O líder norte-coreano, Kim Jong-un (esquerda), e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, levantam os braços em sinal de triunfo pelo encontro histórico entre os dirigentes das duas Coreias. Host Broadcaster via REUTERS TV

A enviada especial da rádio pública Franceinfo à Coreia do Norte, Elise Delève, uma das poucas jornalistas presentes nesta sexta-feira (27) em Pyongyang, conta que os norte-coreanos não tinham informações sobre o encontro histórico entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na zona desmilitarizada que divide a península.


Enquanto os dirigentes coreanos do Norte e do Sul trocavam sorrisos, apertos de mãos e davam declarações promissoras neste dia histórico, 65 anos depois da guerra encerrada com um armistício, ao invés de um tratado de paz - nenhuma informação sobre o encontro chegava aos habitantes de Pyongyang.

É a agência oficial de notícias do regime, a KCNA, que decide quando as notícias são transmitidas. nas primeiras horas da manhã, quando homens e mulheres caminhavam em ritmo apressado para o trabalho, a informação divulgada pelos alto-falantes espalhados na cidade dizia respeito às notícias do último sábado - o abandono dos testes nucleares e o desenvolvimento da economia como prioridade nacional.

No jornal de 20 horas de quinta-feira (27), a jornalista Elise Delève relata que não havia uma palavra sobre a cúpula entre as duas Coreias. Por outro lado, os apresentadores falaram longamente sobre um acidente com um ônibus da China que matou vários chineses quatro dias atrás na Coreia do Norte. A população do país mais fechado no mundo só tem direito a um jornal de TV por dia, transmitido pelo canal estatal. Eles também não têm acesso à internet, apenas a uma pequena rede local.

Kim e Moon afirmam compromisso a favor da desnuclearização da península coreana

Kim Jong Un e Moon Jae-in afirmaram nesta sexta-feira que estão comprometidos com a desnuclearização da península, após uma reunião de cúpula histórica. "Coreia do Sul e Coreia do Norte confirmam o objetivo comum de obter, por meio de uma desnuclearização total, uma península coreana não nuclear", afirma um comunicado conjunto.
 
Kim disse que estava tomado pela emoção ao atravessar a linha que separa os dois países e tornar-se o primeiro governante norte-coreano a pisar em território sul-coreano desde a guerra da Coreia (1950-1953).
   
A convite de Kim, os dois caminharam de mãos dadas pelo lado norte-coreano da fronteira e depois seguiram a pé até a Casa da Paz, em Panmunjom, onde foi assinado o armistício de 1953.
   
"Vim aqui determinado a enviar um sinal de partida ao atravessar a marca do início de uma nova história", disse Kim, que comanda um país acusado de violação dos direitos humanos.

"Os dois dirigentes tiveram um diálogo sincero e franco sobre a desnuclearização e o estabelecimento de uma paz permanente na península coreana e o desenvolvimento das relações intercoreanas", afirmou o porta-voz da presidência sul-coreana, Yoon Young-chan. Moon espera concluir "um acordo audaz para dar um grande presente ao povo coreano em seu conjunto e às pessoas que desejam a paz", acrescentou.

O líder norte-coreano estava acompanhado por sua irmã e conselheira, Kim Yo Jong, e com o responsável norte-coreano pelas relações com o Sul. Moon foi assessorado pelo diretor de Inteligência sul-coreana e por seu chefe de gabinete.

A cúpula intercoreana precede um encontro com o presidente americano, Donald Trump. O encontro ilustra a espetacular distensão na península desde que Kim surpreendeu o mundo ao anunciar, em janeiro, que seu país participaria nos Jogos Olímpicos de Inverno, organizados em fevereiro pelo Sul.

Kim e Moon se abraçam após assinatura de declaração conjunta

Kim e Moon deram um abraço após a assinatura do comunicado no qual afirmam "que não haverá mais guerra na península coreana". Esta foi a primeira reunião de cúpula intercoreana em mais de 11 anos.

Os dois países devem se reunir com os Estados Unidos e talvez a China (ambos signatários do cessar-fogo) "com o objetivo de declarar o fim da guerra e estabelecer um regime de paz permanente e sólido", destaca o texto.