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Líder da oposição armênia convoca greve geral no país

Por RFI

O Parlamento da Armênia rejeitou o nome do líder da oposição, Nikol Pachinian, para o posto de primeiro-ministro. Pachinian convocou uma greve geral nesta quarta-feira (2). A Armênia está mergulhada em uma crise sem precedentes há quase três semanas. As manifestações de milhares de pessoas nas ruas provocaram a demissão do primeiro-ministro Serge Sarkissian, que foi presidente do país por uma década.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Depois de mais oito horas de debates e discursos, o Parlamento da Armênia recusou a candidatura do líder da oposição Nikol Pachinian para o cargo de primeiro-ministro do país. Dos 100 deputados que participaram da sessão extraordinária, 55 votaram contra e 45 a favor. O Partido Republicano, que é maioria na Assembléia Nacional, havia dito que não apoiaria o líder da oposição pela falta de coerência no programa político do candidato.

“Uma força política que declarou guerra a seu próprio povo se auto destrói. O Partido Republicano como força política não existe mais, é um fantasma”, declarou Pachinian após o resultado. Antes da votação, Nikol Pachinian, ameaçou provocar um “tsunami político” se o partido no poder impedisse sua eleição como primeiro-ministro.

O líder da oposição convocou milhares de manifestantes a saírem nas ruas de Erevan, capital da Armênia. Depois de ser rejeitado, Pachinian fez um apelo a uma greve geral, com bloqueio das estradas, aeroportos e linhas ferroviárias nesta quarta-feira. Durante a sessão extraordinária do Parlamento da Armênia, o líder da oposição Nikol Pachinian, 42 anos, era o único candidato ao posto de primeiro-ministro do país.

Quem é Pachinian?

Pachinian se tornou conhecido por sua carreira jornalística e não pela política. No início dos anos 2000, dirigiu o jornal de oposição “Haykakan Zhamanak”. Em 2009 foi condenado à prisão por ter sido um dos responsáveis da primeira onda de manifestações cujos confrontos fizeram dez mortos. Foi anistiado dois anos mais tarde e em 2012 se elegeu deputado.

Desde então, Pachinian lutou pela demissão do ex-presidente armênio Serge Sarkissian, o acusando de mergulhar a Armênia na pobreza e corrupção. Após terminar o segundo mandato, Sarkissian se manteve no poder como primeiro-ministro devido uma controversa revisão constitucional que retirou poderes ao chefe de Estado e reforçou as atribuições ao Executivo. A jogada não durou nem uma semana. Desde a demissão de Sarkissian, no dia 23 de abril, Nikol Pachinian tem reforçado sua imagem como líder da oposição.

Riscos de desestabilização

A falta de estabilidade política na Armênia traz um perigo que não está afastado: a região de Nagorno-Karabakh. Nos anos 20, depois da Primeira Guerra Mundial, Stalin decretou que esta região de maioria armênia e cristã passaria a ser parte integrante da então recém criada República Socialista do Azerbaijão.

Desde 94, depois de uma guerra que fez 30 mil mortos, os armênios se apoderaram da região e criaram uma república independente que nunca foi reconhecida internacionalmente. Nesta época, foi adotado um cessar-fogo, mas nunca foi assinado um acordo de paz definitivo. O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo o orçamento de defesa é maior do que o orçamento total da Armênia, ameaça regularmente tomar à força a Nagorno-Karabakh.

Posição russa

Nos últimos dias, a Rússia tem desempenhado o papel de mediadora da crise na Armênia. O primeiro-ministro interino Karen Karapetian e integrantes do Partido Republicano participaram de reuniões em Moscou enquanto o líder da oposição Nikol Pachinian foi recebido na embaixada russa em Erevan. Dificilmente a solução para o país ficará distante da aprovação do presidente russo Vladimir Putin.

A Armênia é muito dependente da Rússia sobretudo no que diz respeito à segurança do país. A Rússia fornece mais de 80% do gás natural usado pelos armênios. A influência russa sobre a ex-república soviética se tornou evidente em 2013 quando Erevan se juntou ao bloco econômico da União Aduaneira liderada por Moscou, ao invés de assinar um pacto negociado de associação política e integração econômica negociado há anos com a União Europeia.

Tendo péssimas relações com os vizinhos Turquia e Azerbaijão, a Armênia se mantêm na órbita de Moscou. A Armênia é considerada o aliado militar mais próximo do Kremlin no Cáucaso do Sul. A Rússia, além de manter duas bases militares no país, é destino de 25% das exportações armênias.

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