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Líbano Hezbollah Irã

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Hezbollah sai vitorioso da eleição no Líbano e confirma influência do Irã no país

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Partidário do Hezbollah festejam vitória do movimento, antes mesmo do final da apuração. REUTERS/Aziz Taher

O movimento xiita Hezbollah conquistou mais da metade dos assentos no Parlamento libanês após a eleição legislativa realizada no domingo (6). Antes mesmo do resultado final ser divulgado, o primeiro-ministro Saad Hariri anunciou nesta segunda-feira (7) a derrota de seu movimento.


Hariri disse que seu movimento político sunita perdeu um terço de suas cadeiras no Parlamento. Ele indicou que os resultados, que ainda não foram anunciados oficialmente, dão a seu Movimento Futuro 21, cadeiras do total de 128 do Parlamento. Na legislatura anterior, seu grupo tinha 33 assentos.

"A partir de agora, estamos diante de uma nova etapa com vários desafios. Como chefe do Movimento Futuro, eu continuo engajado para enfrentar esses desafios, tanto no nível político, quando nacional e econômico”, declarou o premiê.

Por sua vez, o Hezbollah celebrou o resultado das eleições legislativas. "Há uma grande vitória moral e política pela escolha da resistência", declarou Hassan Nasrallah, líder desse movimento aliado ao Irã, durante um discurso transmitido pela televisão. No entanto, ele preferiu não se avançar sobre o número de cadeiras que teriam sido obtidas por seu partido e por seus aliados.

Grupo visto por Washington como terrorista

Com o resultado, Hezbollah deve conseguir, junto com seus aliados, compor mais facilmente uma maioria sobre temas-chave. Entre eles, o das armas, das quais nunca se desfez desde a guerra civil (1975-1990).

Em um contexto de fortes tensões regionais pelo papel do Irã, principal base de sustentação do movimento xiita, "o Hezbollah aparece em boa situação para ter maior influência no processo decisório no Líbano", confirmou o cientista político Karim el-Mufti em entrevista à AFP.

Criado nos anos 1980, na esteira da revolução islâmica iraniana para lutar contra Israel, o Hezbollah combate atualmente na Síria ao lado do governo de Bashar al-Assad. Considerado como um grupo terrorista pelos Estados Unidos, o movimento tem cinco de seus membros entre os acusados pelo assassinato, em 2005, de Rafic Hariri, pai do atual premiê libanês.

Hariri enfraquecido, mas deve se manter no poder

O premiê Saad Hariri sai desse pleito politicamente enfraquecido. No entanto, ele ainda aparece como favorito para sua própria sucessão. Porém, "vai ter que pagar um preço caro para se manter no poder", aponta a pesquisadora da Science-Po, Aurélie Daher. "Se ele quiser continuar primeiro-ministro, vai ter que vigiar seu linguajar, mudar de discurso e tentar acalmar as tensões religiosas, além de evitar temas sensíveis, como as questões regionais", analisa a especialista.

No ano passado Hariri chegou a anunciar sua renúncia, acusando o Hezbollah e seu aliado Irã de "controlarem" o Líbano. Na época, o premiê disse temer por sua segurança. Depois de passar várias dias na Arábia Saudita, acabou voltando ao cargo.

As eleições libanesas foram marcadas pelo baixo índice de participação, que chegou a 49,2%, contra os 54% registrados em 2009. O pleito também se caracterizou pela emergência de candidatos da sociedade civil, que desafiaram a oligarquia política tradicional e que podem ter conseguido algumas cadeiras.