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Palestinos celebram a Nakba sob violências e forte repressão de Israel

Nakba significa “catástrofe” ou “desastre” em árabe. É o termo utilizado pelos palestinos para a expulsão de suas terras no processo que levou à criação do Estado de Israel em 1948. Neste ano, a data é marcada por manifestações pelo direito de retorno dos refugiados e fortes violências nos protestos contra a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém.

 

Danielle Ferreira, correspondente da RFI em Amã

Os palestinos celebram a “Nakba” em 15 de maio, que foi o dia seguinte à declaração de independência de Israel em 1948. Cerca de 750 mil pessoas foram deslocadas e mais de 400 vilas árabes foram destruídas.

Há 70 anos, o direito de retorno é uma das questões mais complexas nos processos de paz entre palestinos e israelenses. Apesar de ser assegurado pela lei internacional, ele segue sem aplicação.

Na Faixa de Gaza, a Grande Marcha do Retorno vem encontrando forte reação militar israelense. Apenas na segunda-feira (14), ao menos 58 palestinos, incluindo 8 crianças, foram mortos, segundo autoridades palestinas. Mais de 2.700 pessoas ficaram feridas.

Refugiados após 70 anos

Em 1948, muitos palestinos achavam que poderiam voltar a suas terras após o fim da guerra. Foi o que ocorreu com a família de Soraya Abdel Hadi Mustafah, que tinha cerca de 10 anos na época do conflito. Ela lembra com nostalgia da vila de Deir al-Dubban, na área de Hebron. “Tínhamos uma vida boa, muitos tipos de frutas, plantávamos trigo e pegávamos água dos poços”. Quando deixaram a vila em 1948, pensaram que poderiam retornar após alguns dias. No entanto, isso nunca ocorreu.

Assim como a família de Soraya, milhares de palestinos foram deslocados para o que restou da Palestina histórica, que hoje é a Cisjordânia e Faixa de Gaza. E também foram recebidos por países vizinhos, como Jordânia, Líbano e Síria. Com o passar dos anos, a estadia nos campos de refugiados foi ganhando caráter permanente.

Em 1967, a Guerra dos Seis Dias levou a um novo deslocamento de milhares de pessoas e à criação de novos campos de refugiados. Nesse conflito, Israel dominou os territórios palestinos da Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Atualmente, Gaza segue sob bloqueio e a Cisjordânia vive em ocupação militar.

Em 1967, a família de Soraya foi deslocada e perdeu o que tinha mais uma vez. Desde então, eles moram no campo de Baqa’a, o maior da Jordânia. Nesse contexto, a memória da vida antes do exílio é considerada uma resistência pelos palestinos.

O desejo de retorno é muito forte e muitas pessoas se negam a reconhecer o campo de refugiados como o seu lar. Waleed Al-Sharif, que cresceu em Baqa’a, diz que “a vida continua, mas herdamos a crença de que a Palestina é nossa terra natal e que devemos voltar, enquanto a vida continua”. Ele afirmou também que “mesmo que passem 100 anos, você não pode esquecer, sempre vai se lembrar”.

A agência da ONU para os refugiados palestinos estima que atualmente há mais de 5 milhões de pessoas nessa condição. O porta-voz da agência, Chris Gunness, afirma que eles vivem em um “estado de desapropriação e exílio, sob ocupação e bloqueio, em situações de extrema marginalização e vulnerabilidade”. Para Gunness, o Oriente Médio “vai continuar a ser um lugar instável enquanto essa situação política ficar sem solução”.

Situação dos campos de refugiados

As condições nesses campos se assemelham às de favelas brasileiras. Devido à alta densidade populacional, o espaço entre as casas é mínimo. Há um grande índice de pobreza e desemprego.

A situação legal dos refugiados palestinos varia conforme a política adotada pelo país em que eles estão. Na Jordânia, a maioria deles têm cidadania jordaniana. Eles estão de certa forma integrados à sociedade, apesar das dificuldades.

Já no Líbano a situação é bem complicada. Lá, eles não têm acesso a vários direitos e oportunidades. Os refugiados palestinos no Líbano estão proibidos de atuar em ao menos 20 profissões e muitos vivem em condição de extrema pobreza.

Na Síria, os refugiados palestinos foram obviamente muito afetados pela guerra. O conflito levou muitos a um segundo ou terceiro exílio. A Jordânia, inclusive, tem uma política de não receber refugiados palestinos da Síria desde 2013. Pessoas foram simplesmente enviadas de volta à Síria durante o conflito.

O maior campo de refugiados palestinos da Síria, Yarmouk, foi controlado por grupos rebeldes e pelo grupo Estado Islâmico. Atualmente, está cercado por forças do governo de Bashar al-Assad, que retomaram a área em uma forte ofensiva militar.

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