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Empresas francesas se preparam para deixar o Irã

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A imprensa francesa analisa os dedobramentos da crise aberta com o abandono do programa nuclear iraniano pelos Estados Unidos. Fotomontagem RFI

Com a manchete "Irã: a Europa tenta permanecer unida diante de Donald Trump", o jornal Le Figaro faz um relato detalhado da reunião de líderes europeus ocorrida na noite dessa quarta-feira (16) em Sófia, na Bulgária. Eles discutiram uma resposta coletiva do bloco ante a "atitude caprichosa da administração americana", conforme afirmou o polonês Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu.


"Quando observamos as últimas decisões do presidente Trump, podemos dizer que com estes amigos não precisamos de inimigos", declarou o ex-premiê polonês, que coordena duas cúpulas do bloco europeu na capital da Bulgária.

Ameaçados pelas sanções extraterritoriais americanas, os europeus deveriam adotar uma reação corajosa. Mas, como nota Le Figaro, o líder francês, Emmanuel Macron, se vê quase sozinho no contra-ataque.

Os interesses dos países europeus são muito assimétricos para permitir um enfrentamento coerente, e os Estados Unidos tiram proveito dessa fragilidade. A começar pela Alemanha, indica Le Figaro. A chanceler Angela Merkel teme as consequências das novas sanções para sua indústria e ainda acredita que Trump poderá voltar atrás. A Itália, terceira economia do bloco, continua sem governo e sem rumo definido, entre a formação de uma coalizão eurofóbica e novas eleições. E por aí vai, escreve Le Figaro, ressaltando esse eterno problema dos europeus de superar suas divergências internas para se afirmar como um bloco coeso e forte.

O diário francês ainda tenta fazer um apelo à racionalidade, com um editorial intitulado "Europa First", ou "A Europa Primeiro", emprestando o slogan de campanha "A América Primeiro", de Trump. É uma questão de vontade política, insiste Le Figaro, reconhecendo que esta é a maior deficiência do bloco.

Pior cenário

O jornal econômico Les Echos anuncia em manchete que as empresas francesas já se preparam para deixar o Irã. A gigante do petróleo Total está a um passo de renunciar a um mega projeto de exploração de gás no litoral iraniano, apesar do investimento bilionário feito no projeto. A esperança de obter uma derrogação das sanções americanas é muito pequena, diz Les Echos. Os bancos franceses estão pedindo a todos os seus clientes para cortar os laços com o mercado iraniano. Paralelamente, alguns bancos europeus, sem qualquer vínculo com os Estados Unidos – protegidos de pagar multas bilionárias diante do futuro embargo americano –, tentam assumir a dianteira.

O jornal de esquerda Libération traz um perfil de John Bolton, o "ultrafalcão" americano responsável pela Segurança Nacional, que faz a cabeça de Trump. É um homem que defende o isolamento total dos Estados Unidos, acreditando que dessa forma o país mantém sua posição hegemônica no mundo, um assessor capaz de apostar no pior cenário para demonstrar a superioridade americana, afirma o jornal progressista.