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Ramadã obriga não muçulmanos a seguirem "manual de etiqueta" nos países islâmicos

A partir desta quinta-feira (17), milhões de muçulmanos de todo o mundo começam a celebrar o Ramadã, nome dado ao nono mês do calendário islâmico. Mas mesmo nos países islâmicos, nem todos celebram esse mês sagrado, embora o respeito seja obrigatório.

Mariana Durão, correspondente da RFI em Dubai

Como todas as pessoas devem respeitar o jejum em público, independentemente da religião, o Ramadã acaba alterando o cotidiano de todos os moradores e turistas nos países islâmicos. Em Dubai mais de 85% da população é de expatriados, em boa parte não muçulmanos. Existe uma espécie de manual de etiqueta do Ramadã a ser seguido. Para evitar gafes, jornais, sites e revistas publicam listas do que fazer e do que não fazer no mês sagrado. 
 
Beber e comer em público é considerado ofensivo, por isso até os shoppings, muito frequentados pelas famílias locais, fecham ou isolam com tapumes as suas praças de alimentação. Nos escritórios a recomendação é não comer na frente dos colegas religiosos. Não vale sequer tomar um cafezinho ou deixar aquela tradicional garrafa d’água em cima da mesa. Também entram nessa “lista proibida” fumar, mascar chiclete e ouvir música alta em áreas públicas. 

Para um lugar agitado como Dubai, esses podem ser pontos sensíveis. Nos Emirados Árabes os não muçulmanos podem beber em determinados locais, como hotéis. Durante o Ramadã bares e pubs normalmente funcionam, mas nem todos servem bebidas alcóolicas mesmo após o entardecer. Nos últimos anos as autoridades locais flexibilizaram um pouco as regras, para atender os interesses de residentes e turistas, sem desrespeitar os que estão em jejum.
 
Durante o Ramadã, órgãos de governo e empresas reduzem o expediente em função do jejum. Nos Emirados Árabes, por lei a ordem é cortar a jornada de trabalho em duas horas diárias para todos os empregados, muçulmanos ou não. Na prática, entretanto, isso pode variar, principalmente no setor privado. 

Significado do mês sagrado

O Ramadã é considerado o mais sagrado dos meses para os seguidores do islamismo porque marca o período em que se iniciou a revelação da palavra divina, o Alcorão – o livro sagrado do Islã, com a palavra de Alá – ao profeta Maomé. O ritual mais marcante desse período sagrado, que dura de 29 a 30 dias, é o jejum, observado desde o amanhecer até o por do sol.
 
A abstinência inclui não só ficar sem comer, mas também sem beber água e até sem ter relações sexuais. Existem algumas exceções. Mulheres grávidas ou amamentando, crianças, idosos, pessoas doentes e em viagem ficam dispensados do jejum.
 
Todos os dias antes de o sol nascer, é feita uma refeição chamada “suhoor”.  Depois que o sol se põe é a vez do “iftar”, que é na prática um grande banquete pra celebrar a quebra do jejum do dia. Por conta disso, a noite acaba sendo muito viva durante o Ramadan. O “iftar” é uma reunião familiar que pode acontecer em casa, mas também em restaurantes. 

Aqui em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, os estabelecimentos se preparam muito pra atrair os clientes (muçulmanos e não muçulmanos), oferecendo pacotes e promoções. As grandes redes de hotéis, por exemplo, apostam em montar os “iftar” em estruturas que reproduzem tendas árabes tradicionais. Vários sites e revistas publicam listas de restaurantes e ofertas dessa refeição.
 
O jejum durante o Ramadã é um dos cinco pilares do islã. Seu significado é de purificação espiritual, uma limpeza da alma. Na religião muçulmana é um período de reflexão, de praticar a autodisciplina e de exercitar o sacrifício. Também é um momento em que há uma intensificação de ações de caridade e trabalhos voluntários, em solidariedade aos mais pobres. 

Clima de Natal
 
Nas semanas que antecedem o Ramadã já existe um clima de ansiedade no ar, bem parecido com o do Natal nos países ocidentais. O início das celebrações acontece no mês anterior, quando crianças saem com as suas melhores roupas pela vizinhança cantando e recitando poemas em troca de doces. Depois disso há uma expectativa quanto a definição da data exata de início do Ramadã, determinada pelo calendário lunar. 

Este ano inicialmente a expectativa era que ele começasse na quarta-feira (16), mas a dificuldade em avistar a olho nu a lua crescente – metodologia que marca o início do período de jejum – acabou fazendo com que vários países só confirmassem o primeiro dia do mês sagrado para esta quinta-feira (17). A lista inclui Indonésia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Líbano, Jordânia e Egito, entre outros. 

Pico de vendas
 
Para o varejo, essa é uma época de pico de vendas em categorias como alimentos, bebidas e vestuário. Durante o Ramadã, amigos e familiares se conectam e comemoram, saindo para comer e fazer compras durante a noite. Os shoppings ficam abertos até a madrugada (1h da manhã), pra aproveitar o movimento pós-jejum. 

No fim de semana passado, o último antes do Ramadan, todos os shoppings de Dubai fizeram liquidações, dando até 90% de descontos em itens como roupas, joias, eletrodomésticos e comida. Uma explicação para a onda de liquidações é que logo depois do Ramadã vem o Eid al-Fitr, um feriado que comemora o fim do mês sagrado e no qual as pessoas trocam presentes. 
 
Os supermercados também têm uma atuação muito forte nesta época, já que as festas de quebra de jejum são diárias. Muitas famílias estocam produtos antes e durante o mês sagrado. Aqui nos Emirados Árabes Unidos grandes redes reduziram seus preços em até 75% ao longo deste mês. 

Na moda, algumas marcas lançam coleções de “modest fashion”, já que durante o Ramadã as pessoas devem se vestir de forma simples. Algumas pesquisas também apontam pra um aumento das compras online, principalmente à noite, após o “iftar”. 

Número de muçulmanos praticantes cresce no mundo

Um levantamento demográfico do instituto norte-americano Pew Research aponta o islamismo como a única religião cujo número de seguidores cresce acima da população mundial. De acordo com o estudo haverá um aumento de 73% da população muçulmana entre 2010 e 2050, contra 35% de cristãos e 37% da população global.

Mantido este ritmo, a quantidade de muçulmanos se igualará a de cristãos em 2070 e, depois, pode ultrapassá-la. A estimativa do instituto é que em 2010 havia 1,6 bilhão de muçulmanos e 2,17 bilhões de cristãos no mundo. Em 2050 esse número deve subir para 2,76 bilhões de seguidores do islamismo e 2,9 bilhões de cristãos.
 

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