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Venezuela: crise econômica gera caos no setor da saúde

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Manifestação contra a precariedade dos hospitais na Venezuela Luis ROBAYO/AFP

A crise econômica na Venezuela também atinge o setor da saúde e os hospitais públicos. Faltam equipamentos e medicamentos, que devem ser adquiridos na Colômbia. O correspondente da RFI, Achim Lippold, esteve no hospital para crianças de Caracas e narra os bastidores dessa verdadeira catástrofe humanitária.


O repórter da RFI teve que entrar pelo estacionamento para não ser barrado pelos agentes de segurança do estabelecimento. Ele recebeu a ajuda de uma representante de uma associação de pacientes da capital venezuelana, para poder visitar os diferentes setores do hospital.

A situação é dramática. Lippold cruza com uma mãe, com um dossiê nas mãos, que aguarda o diagnóstico de seu filho. A funcionária pública prefere não se identificar. Ela teme represálias do governo por críticas ao setor. “Se o câncer for confirmado, ele precisará de uma quimioterapia, o que custa milhares de bolívares. O pagamento deve ser feito em dólares, e os remédios para o tratamento devem ser comprados na Colômbia”, diz.

Na Venezuela, a Constituição garante o direito à saúde e à vida, dois princípios, lembra a representante da ONG, que não são respeitados há muito tempo. O governo culpa os Estados Unidos, que “declarou a guerra econômica ao país”.

Um discurso que irrita os médicos venezuelanos, que desertam o hospital diante das más condições de trabalho. Eles são obrigados, conta o correspondente da RFI, a pedir aos pais das crianças que tragam medicamentos, curativos e, se possível, até comida. “Eles dão apenas um pouco de comida para meu filho”, conta outra mãe. “Ele tem oito anos e está com fome. Seus antibióticos, ele toma com água. Não tenho dinheiro nem para comprar um ovo para ele. Tenho medo porque meu filho está sentindo fome, declara.

Situações cada vez mais extremas

Além de ter que cuidar das crianças doentes, as venezuelanas fazem o que podem para sobreviver com seus filhos em um país onde o cotidiano se tornou uma batalha diária. No hospital as situações extremas se multiplicam.

É o caso de uma mãe que chega ao hospital na esperança que se filho, que sofre de microcefalia e pegou uma infecção, seja atendido. Os antibióticos necessários para seu tratamento, entretanto, não estão disponíveis. “Não existe mais sistema de saúde pública, nem de educação. Não tenho nem como comprar um caderno para meu filho. Não existem palavras para descrever o que sentimos quando vivemos uma situação como essa”, diz. “Por outro lado, quando assistimos televisão, temos a impressão de que está tudo bem. O país está em queda livre. Crianças estão morrendo, mas tudo bem…”