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Demissão Jordânia Primeiro-ministro

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Sob protestos, primeiro-ministro da Jordânia pede demissão

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O primeiro-ministro da Jordânia, Hani Mulki REUTERS/Muhammad Hamed/File Photo

O primeiro-ministro da Jordânia, Hani Mulki, foi levado a se demitir nesta segunda-feira (4), após cinco dias de protestos na capital Amã e em outras cidades do país contra um projeto de reforma fiscal e um aumento generalizado dos preços.


Milhares de manifestantes invadiram as ruas da capital Amã para denunciar o preço elevado do pão, da gasolina e da eletricidade, além de exigirem a retirada de um projeto de lei que prevê um aumento dos impostos. Hani Mulki foi nomeado primeiro-ministro em maio de 2016, com a missão de relançar a economia da Jordânia, fragilizada pelos conflitos no Oriente Médio.

O rei Abdallah II aceitou rapidamente o pedido de demissão de Mulki e designou o ministro da Educação Omar al-Razzaz para formar um novo gabinete, segundo uma fonte governamental.

Pressão do FMI

A Jordânia se encontra sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para levar em frente diversas transformações. Um projeto de reforma fiscal recente, além do aumento dos preços, provocaram uma forte contestação contra Mulki. O texto, recomendado pelo FMI, prevê impostos mais rigorosos para os salários mais modestos – cerca de 5% a mais de taxas para as pessoas físicas e até 40% para as empresas.

Em 2016, o FMI aprovou uma linha de crédito de € 617 milhões em três anos. Em contrapartida, o reino da Jordânia se engajou a propor diversas reformas estruturais com o objetivo de reduzir sua dívida pública a 77% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021, contra 94% em 2015.

Os manifestantes, aos gritos de “O povo quer ver a queda do governo!”, também acusam a classe política de corrupção e desperdício de dinheiro público. O movimento é o mais importante desde 2011 no país de cerca de 10 milhões de habitantes e acontece ao mesmo tempo em que o Ramadã, mês de jejum muçulmano, período em que a vida noturna tem tendência a ser mais agitada.

Os centenas de milhares de refugiados, vindos da Síria, também pesam na economia da Jordânia, onde 18% da população está desempregada e 20% vive abaixo da linha da pobreza.

Substituição de primeiro-ministro é superficial e não vai acalmar os manifestantes

Os sindicados não reagiram imediatamente ao anúncio de demissão e não deram nenhuma precisão com relação a um dia de greve nacional na quarta-feira (6). Durante uma conferência de imprensa hoje, o chefe da Segurança Nacional, Fadel al-Hamoud, declarou que 60 pessoas foram presas acusadas de terem “atacado o patrimônio público e privado” e “agredido membros das forças de ordem”.  

Para Adel Mahmoud, analista especializado em ciências políticas, “a demissão de Mulki não é suficiente para acalmar as contestações nas ruas” e o novo governo deve encontrar um meio de abrir o diálogo com relação à lei da reforma fiscal. “Mudanças ‘estéticas’ como a substituição do primeiro-ministro não podem satisfazer os manifestantes”, afirmou James Dorsey, especialista do Oriente Médio. O povo, nas ruas, deixa claro sua mensagem: “Quem aumenta os preços coloca fogo no país”.