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ONU Líbia Tráfico de seres humanos

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ONU sanciona traficantes de pessoas na Líbia pela primeira vez

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Migrantes num centro de detenção na Líbia em 2017 ©Abdullah DOMA/AFP

O Conselho de Segurança da ONU sancionou pela primeira vez, nesta quinta-feira (7), seis chefes de redes de tráfico na Líbia: quatro líbios e dois eritreus. As punições devem ser aplicadas imediatamente e dão a entender que o organismo se interessa cada vez mais ao tráfico de pessoas no país.


As sanções bloqueiam as contas bancárias e proíbem a viagem dos traficantes – dos quais faz parte o líbio Ahmad al-Dabbashi, chefe de milícia e próximo da organização terrorista Estado Islâmico. Durante o verão de 2017, a Itália havia oferecido milhões de euros para que ele parasse suas atividades – al-Dabbashi pegou o dinheiro e sumiu do mapa.

Abd al Rahman al Milad, por sua vez, é um antigo chefe de milícias que atuava na cidade de Zaouïa; Musab Abu Qarin mantinha operações em Sabratha e Garaboulli; Mohamed Kachlaf, o último dos sancionados da Líbia, mais conhecido sob o nome de Kasab, é acusado de traficar pessoas, mas também petróleo com a Tunísia, a Malta e a Itália.

A decisão da ONU também visa os eritreus Ermias Ghermay e Fitiwi Abdelrazak. A Eritreia é um país desestabilizado por uma poderosa rede de criminosos, que compartilham interesses com os jihadistas, desde 2011.

“Não existe lugar no mundo para abusos como esse”

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, imediatamente comemorou as sanções. "No outono passado, imagens de migrantes sendo vendidos como escravos na Líbia impactaram nossa consciência e o Conselho de Segurança votou para agir a respeito", disse Haley.

"As sanções de hoje enviam uma forte mensagem de que a comunidade internacional está unida para estabelecer as responsabilidades dos que fazem tráfico de pessoas e de contrabando", acrescentou a embaixadora. "Não existe lugar em nosso mundo para tais abusos aos direitos e à dignidade humana", lançou Haley.

Em 8 de maio, a Rússia suspendeu o processo de sanções pedindo detalhes sobre as punições, incluindo uma solicitação de "muitas provas". Moscou também observou que os documentos falavam de redes que "se estendem a vários países europeus e aos Estados Unidos", questionando a relevância de se limitar a seis indivíduos africanos. O país aprovou mais tarde a proposta da ONU.