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China diz que aplicará mesmas tarifas sobre importação anunciadas por EUA

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Casa Branca avisa que pode aplicar novas tarifas caso a China concretizar sua retaliação. Nicolas ASFOURI / AFP

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (15) a imposição de tarifas de 25%, a US$ 50 bilhões, sobre as importações de produtos chineses que "contenham tecnologias muito importantes no plano industrial". Logo depois, a China indicou que aplicará direitos de aduana "idênticos" aos impostos por Washington.


"Vamos tomar medidas tarifárias imediatas com uma amplitude equivalente", anunciou o ministério chinês do Comércio. Pequim também fez um apelo para "uma ação coletiva" contra a conduta "obsoleta e retrógrada" dos Estados Unidos.

O anúncio coroa meses de árduas negociações entre Washington e Pequim, nas quais as ofertas chinesas não conseguiram satisfazer as exigências de Trump relacionadas ao crescente déficit comercial com a potência asiática.

"Minha formidável relação com o presidente Xi Jinping e a relação do nosso país com a China são importantes para mim. Mas o comércio entre nossas nações é muito desigual, há muito tempo", justificou Trump, em um comunicado.

O presidente advertiu ainda que "os Estados Unidos vão impor novas tarifas, se a China adotar medidas de represália, tais como novas tarifas sobre bens americanos, sobre serviços, ou produtos agrícolas".

"Essas tarifas são essenciais para prevenir outras injustas transferências de tecnologia americana e de propriedade intelectual para a China, protegendo empregos nos Estados Unidos", completou Trump.

A data limite para Trump anunciar a decisão o coloca em uma encruzilhada diplomática: por um lado, precisa de Pequim para fazer seus esforços na desnuclearização da Coreia do Norte avançarem, mas, ao mesmo tempo, enfrenta todos seus aliados em uma quase declarada guerra comercial.

Medida entra em vigor em julho

Desses US$ 50 bilhões em produtos, US$ 34 bilhões serão taxados a partir de 6 de julho, afirmou o representante de Comércio americano (USTR, na sigla em inglês), Robert Lighthizer.

"O segundo lote", de US$ 16 bilhões em importações provenientes da China, "será submetido a uma análise adicional" que incluirá um período de consultas e de audiências públicas, acrescentou o USTR. A lista de produtos "cobre 1.102 linhas de tarifas por um valor de US$ 50 bilhões de valor comercial 2018", completa a nota.

Em março, Trump anunciou que os Estados Unidos imporiam tarifas de US$ 50 bilhões aos produtos chineses. Ameaçou, inclusive, elevar essa cifra para US$ 100 bilhões.

Uma lista de aproximadamente 1.300 produtos chineses foi publicada pelo USTR. Do total, 70% desses bens pertenciam a três grandes setores: componentes de reatores nucleares, maquinário elétrico e equipamentos ópticos.

Na quinta-feira (14), porém, o canal de notícias econômicas CNBC informou que essa lista seria reduzida para 800 ou 900 produtos.

Impacto econômico das tarifas

Analistas estimam que os milhões de dólares em tarifas que Washington vai impor à China são inexpressivos em comparação ao tamanho das duas principais economias do globo. Outros se preocupam, contudo, com o sinal que essa medida envia e seu potencial para prejudicar a economia mundial. Para Derek Scissors, especialista em economia chinesa do American Enterprise Institute (AEI), essas tarifas de US$ 50 bilhões em produtos "não mudarão grande coisa".

Alguns analistas apontam que os dois objetivos perseguidos pelo governo americano - que a China apoie um acordo entre Estados Unidos e Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, faça concessões econômicas - são incompatíveis. "O perigo que Trump enfrenta, se for muito longe, é que a China pare de pressionar a Coreia do Norte", afirma Lardy, agora que Pequim restringiu suas relações comerciais com o regime norte-coreano.

(Com informações da AFP)