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Rede virtual conecta brasileiras pelo mundo

Elas vivem espalhadas pelo planeta. Mas têm uma casa virtual em comum: o Brasileiras pelo Mundo (BPM). O projeto surgiu como blog seis anos atrás, mas cresceu tanto que se transformou numa plataforma colaborativa. Hoje, conta com mais de 150 colunistas e virou referência para quem quer saber como é viver no exterior.

Por Cristiane Ramalho, correspondente da Rfi em Berlim

Criado pela brasileira Ann Moeller há exatamente seis anos, o BPM conseguiu formar uma vasta rede de colunistas. São mulheres escrevendo para mulheres, numa cobertura que alcança mais de 80 países. Entre eles, China, Japão, Tailândia, Estados Unidos, México, e praticamente toda a Europa.

Tatiane Domingos, de 37 anos, é uma das dez colunistas da Alemanha. Radicada há 14 anos no país, ela hoje administra três hotéis na região de Stuttgart e pôde patrocinar o encontro internacional do BPM na cidade, em maio. No início, porém, foi tudo bem difícil.

“Quem já tem bagagem acha que vai conseguir logo o mesmo patamar que tinha no Brasil. Não é bem assim. Às vezes, é preciso recomeçar do zero”. Ao chegar, Tatiane teve que aprender alemão e voltar a estudar, mesmo já sendo formada: “A gente se sente perdida. E o BPM oferece uma bela ajuda”.

Crise brasileira deu mais visibilidade ao projeto

Com a crise no Brasil, o projeto vem ganhando mais visibilidade. “O tráfego do site aumentou muito nos últimos meses. A gente percebe que tem mais gente qualificada querendo deixar o país”, observa a santista Ann Moeller, de 46 anos, editora-chefe e fundadora do BPM.

Ann é catedrática quando o assunto é morar fora. São 28 anos longe do Brasil: seis em Lisboa, e 22 em Londres – onde vive atualmente.

Ela conta que 80% do tráfego do BPM vêm do Brasil. “São mulheres – e alguns homens – querendo entender melhor como é a vida no exterior”, diz a editora, lembrando que a plataforma já conta com 500 mil acessos mensais, em média.

Quem nunca viajou para fora do Brasil, diz Ann, tende a se iludir. “Muitos acham que viver nos Estados Unidos é como estar na Disney, numa bolha de felicidade. Já a Europa é vista como o lugar da beleza, da magia dos castelos, da realiza britânica. Mas a vida aqui não é um mar de rosas”, pontua. Ela lembra que o custo de vida é alto, e que é preciso batalhar muito para fechar o orçamento no fim do mês.

Prós e contras de morar no estrangeiro

Para que cada um saiba o que pode encontrar pela frente, a plataforma criou uma coluna com 10 motivos para se morar e 10 para não se morar num país. “É preciso mostrar os dois lados da moeda”, justifica a editora.

“As pessoas acham que só o Brasil tem problemas econômicos e políticos. Infelizmente, isso existe em todos os lugares, embora em escalas diferentes. Não tem lugar perfeito”, destaca.

Muitos, porém, preferem evitar ser confrontados com esses aspectos negativos. Acham que é mais informação do que precisam. “Tem gente que diz: ‘Ah, você quer estragar o meu sonho’. Mas temos que mostrar a realidade. Se você não gosta de frio, não pode morar na Alemanha”.

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