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Putin e Trump realizam primeiro encontro bilateral em clima de suspense

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O presidente russo, Vladimir Putin, e o emissário de Trump, John Bolton, em Moscou, em 27 de junho de 2018. Alexander Zemlianichenko/Pool via REUTERS

Vladimir Putin e Donald Trump se reunirão em breve para sua primeira cúpula bilateral. O encontro deverá acontecer "em um terceiro país", anunciou o Kremlin nesta quarta-feira (27), após uma entrevista entre o presidente russo e John Bolton, conselheiro de segurança nacional da Casa Branca.


Donald Trump, que está no cargo desde o início de 2017, e o presidente russo, Vladimir Putin, só se encontraram até agora à margem de reuniões internacionais, ao lado de outros chefes de Estado, sendo a última vez em novembro passado no Vietnã.

Envenenados pelo conflito sírio, pela crise ucraniana e pelas acusações de interferência russa na eleição presidencial de 2016, as relações entre Moscou e Washington nunca foram tão ruins desde a Guerra Fria. A visita do assessor norte-americano "dá esperança de que podemos dar os primeiros passos para restaurar as relações entre nossos estados", disse Putin, dando as boas-vindas a Bolton em redes de TV russas no Kremlim, em Moscou.

Donald Trump, que falou na semana passada sobre uma possível reunião em julho com Vladimir Putin, nomeou John Bolton como seu conselheiro por sua reputação de "falcão", para tentar definir o quadro em Moscou. "Infelizmente, as relações russo-americanas não estão no seu melhor", disse Putin, dizendo que isso se deve ao "resultado de uma amarga luta política interna nos Estados Unidos".

"A Rússia nunca aspirou confrontar os Estados Unidos", disse ele, repetindo que queria restaurar "relações plenas com base na igualdade e no respeito mútuo". "Espero que possamos, como em conversas entre colegas, discutir a possibilidade de melhorar a cooperação entre a Rússia e os Estados Unidos", disse Bolton. "Mesmo no passado, quando nossos países eram divergentes, nossos líderes e seus conselheiros se encontraram e eu acho que foi benéfico para ambos os países, benéfico para a estabilidade global e o presidente Trump tem isso no coração", acrescentou.

Putin, cujo país atualmente é anfitrião da Copa do Mundo, parabenizou os Estados Unidos por vencerem com o México e o Canadá pela organização da Copa do Mundo de 2026: "Teremos prazer em compartilhar nossa experiência com você", insistiu o presidente russo, sorrindo.

Meados de julho?

No centro de toda especulação, a reunião dos dois líderes será examinada com especial atenção, especialmente por causa das acusações russas de interferência na eleição presidencial de 2016, que a Rússia nega. A cúpula entre Putin e Trump poderia acontecer em uma capital europeia, um pouco antes ou depois da cúpula da Otan marcada para 11 e 12 de julho em Bruxelas, segundo a mídia russa e estrangeira. Esta semana, o jornal on-line Politico, dos Estados Unidos, informou que a reunião poderia ser realizada em Helsinque, a capital da Finlândia.

Antes de se encontrar com Vladimir Putin, Bolton reuniu-se por uma hora e meia com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, com quem mencionou, além das relações bilaterais, as questões síria e ucraniana, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

A deterioração das relações entre Moscou e Washington não pode ser minimizada após a chegada ao poder de Donald Trump, que, durante a campanha, garantiu defender a reconciliação dos EUA com Putin. Em abril, no entanto, Washington novamente endureceu suas sanções contra Moscou.