rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Secretário de Defesa americano dá prosseguimento a negociações diplomáticas em viagem pela Ásia

Por Luiza Duarte

Na sequência do aperto de mão entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, que marcou uma aproximação sem precedentes entre os dois países, a movimentação diplomática entorno da Península Coreana segue intensa. Kim esteve na última semana em uma visita surpresa à Pequim, a terceira esse ano, e agora é a vez do secretário americano de Defesa, Jim Mattis, fazer um tour pela Ásia.

Correspondente da RFI em Hong Kong

Mattis tem ido bastante para o continente. Essa é sua sétima viagem para a Ásia desde que assumiu o cargo e a terceira apenas esse ano, mas é a primeira vez que pisa na China continental. No início de junho, ele chegou a ir a Singapura para participar do Diálogo de Shangri-la, a cúpula de segurança da Ásia, mas não ficou na cidade-Estado para participar da histórica reunião entre Trump e Kim.

O secretário americano de Defesa já visitou Hong Kong muitas vezes, mas a capital chinesa é território desconhecido. Mattis discutiu com o governo chinês a respeito de assuntos delicados: a desnuclearização da Península Coreana, as disputas no Mar do Sul da China e cooperação militar bilateral. Temas espinhosos em meio a uma guerra comercial que vem gerando novos atritos entre China e Estados Unidos.

No mês passado, a China foi desconvidada de última hora pelos americanos para participar de um treinamento militar no Pacífico. Uma retaliação de Trump às instalações de aparato militar feitas pelos chineses em ilhas do Mar do Sul da China.

Os dois lados garantem que o balanço da passagem de Mattis por Pequim foi positivo. O ministro chinês da Defesa, Wei Fenghe, aceitou um convite para Washington ainda esse ano. Uma mudança de tom no diálogo sino-americano que foi sinalizada pela imprensa estatal chinesa.

Depois de Pequim, Mattis passou pela Coreia do Sul e está agora no Japão. Ele tenta assegurar aos grandes aliados dos Estados Unidos na Ásia que a cooperação em segurança continua sólida, apesar de Trump ter anunciado esse mês a suspensão dos tradicionais exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington. A decisão pegou o governo sul-coreano de surpresa e desagradou visivelmente os japoneses.

Cancelamento de treinamento militar americano é motivo de disputa

O cancelamento do treinamento militar entre Coreia do Sul e Estados Unidos também não foi bem recebido pelo Japão, que considerava o exercício vital para a segurança da região. Para a Coreia do Norte, o treino era o ensaio para uma invasão de seu território, uma ação classificada de provocação. A suspenção atende a uma demanda de longa data do regime da China e da Rússia.

Mattis defendeu que o congelamento dos exercícios aumenta a perspectiva de negociação diplomática entre EUA e Coreia do Norte, mas garantiu que as sanções econômicas vão continuar em vigor até Pyongyang dar passos "irreversíveis” para o fim do programa nuclear. O secretário prometeu que vai manter as tropas americanas em território sul-coreano e reafirmou o compromisso com os aliados.

A Coreia do Sul hospeda cerca de 28 mil militares americanos. O Japão, por sua vez, conta com aproximadamente 50 mil soldados e depende da Casa Branca para garantir a defesa do país no plano internacional.

Desconfiança por parte do Japão

O governo japonês viu a Cúpula de Singapura como uma vitória para Kim e segue pressionando para que inspetores da agência internacional de energia atômica (AIEA) possam entrar na Coreia do Norte para ter certeza de que a prometida desnuclearização vai avançar e também sinalizou que não vai oferecer nenhuma ajuda financeira sem que relações diplomáticas sejam normalizadas. Outra demanda do país é que o caso dos japoneses sequestrados no final dos anos 70 faça parte das discussões entre americanos e norte-coreanos.

No acordo de Singapura, Trump e Kim prometeram apenas “trabalhar para a desnuclearização da Península Coreana”. Uma expressão vaga que deixa margem a interpretações. Os dois países têm visões diferentes sobre o que a desnuclearização significa. Tudo resta a ser definido: prazos, verificações, termos e consequências em caso de abandono do compromisso. Além disso, não houve anúncio claro da parte de Kim de que o regime vai abrir mão de seus armamentos nucleares e nenhuma grande concessão foi feita.

Segundo a análise feita por um especialista e publicada no site 38 North, especializado em informações sobre a Coreia do Norte, Pyongyang estaria melhorando a infraestrutura no centro de pesquisa nuclear de Yongbyon. As imagens de satélite do dia 21 de junho indicam que o país continua investindo em seu programa nuclear, mesmo depois do acordo assinado com Trump.

70° Emmy é marcado por pedido de casamento e premiação de “The Marvelous Mrs. Maisel”

Hong Kong se recupera da passagem do tufão Mangkhut, o mais forte que já atingiu o território

Em Berlim, congresso sobre violência sexual destaca casos na Igreja Católica

25 anos depois, Acordos de Oslo entre Israel e Palestina parecem cada vez mais distantes

Primárias em Nova York podem concretizar "ano da mulher" do Partido Democrata

Ameaças de sanções contra o Tribunal Penal Internacional reforçam opção isolacionista dos EUA

Suécia: eleições devem confirmar avanço de partido da extrema-direita e anti-imigração

Devido ao Brexit, Reino Unido perde apoio dos países europeus no caso Skripal

Acusado de apoiar terrorismo, Catar pode virar ilha e ficar totalmente isolado

Aufstehen, movimento de esquerda e anti-imigração, é lançado na Alemanha

Ministro italiano pode ser afastado do cargo por bloquear migrantes na Sicília

Papa tenta na Irlanda conquistar católicos afastados por escândalos de pedofilia

Guerra comercial: visando liderança global, EUA e China não devem recuar

Manifestação na Argentina pede fim da imunidade parlamentar de Cristina Kirchner