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Novo presidente mexicano terá que lidar com "realidades locais diversas", diz especialista

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O presidente eleito do México, o líder de esquerda Lopez Obrador, promete mudanças profundas no país, mas envia sinal de garantias constitucionais aos empresários. REUTERS/Goran Tomasevic

O candidato antissistema Andrès López Obrador venceu as eleições presidenciais que ocorreram neste domingo (1), no México, com mais de 53% dos votos, segundo estimativas parciais. Ele teve mais de 30 pontos de vantagem sobre seu rival, Ricardo Anaya, apoiado por uma coalizão de direita e esquerda.


"Não vou falhar com vocês", prometeu Andrés Manuel López Obrador, chamado "AMLO",  logo depois do anúncio da vitória. "Sou muito consciente de minha responsabilidade histórica", disse López Obrador, de 64 anos, ao lado da esposa e dos filhos, diante de dezenas de milhares de simpatizantes na emblemática praça central da capital mexicana. "Quero entrar para a história como um bom presidente do México", afirmou, enquanto a multidão gritava "Sim, foi possível".

A apuração dos votos avança lentamente e continuará nesta segunda-feira (2), enquanto o país assiste à partida entre México e Brasil pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia 2018. López Obrador conseguiu capitalizar o cansaço da população após seis anos de governo de Enrique Peña Nieto, um mandato marcado pela corrupção e por denúncias de violações dos direitos humanos.

Em entrevista à RFI, a cientista política francesa Hélène Combes, da Sciences Po, lembra que o México é uma república federativa. Isso significa que o novo presidente poderá implantar suas reformas, “mas muitos elementos dependem dos governos estaduais”. De acordo com ela, a situação local é “heterogênea”, principalmente em relação à violência contra o narcotráfico, que envolve “histórias locais específicas”.

Os candidatos do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), a coalizão liderada por López Obrador, que atualmente não governa nenhum estado, venceram em seis dos nove estados em disputa, de acordo com as pesquisas de boca de urna. O resultado muda definitivamente o mapa político nos 32 estados do México, que até agora eram governados em sua maioria pela direita.

Além do presidente, quase 89 milhões de mexicanos estavam registrados para escolher governadores, prefeitos e deputados locais e federais, entre os mais de 18.000 cargos em disputa.

De acordo com o instituto Mitofsky, Morena e seus aliados, o Partido do Trabalho e o conservador Encontro Social, conseguiriam juntos mais de 250 das 500 cadeiras na Câmara, o que significa a maioria entre os deputados. No Senado, entre 56 e 70 das 128 cadeiras, o que não garante a maioria até o momento. López Obrador precisará, portanto, estabelecer alianças em um país dividido.

Redução dos salários dos funcionários

Em seu projeto de governo, Lopez, que começará em sua posse no dia 1 de dezembro, disse que vai apoiar a agricultura, a revisão dos contratos milionários da reforma energética, um governo "austero, sem luxos ou privilégios" e a redução dos salários dos altos funcionários públicos em até 50%.

O objetivo é estimular programas sociais e reduzir a pobreza no país, que afeta mais de 53 milhões de pessoas, com mais de sete milhões de cidadãos na pobreza extrema. O problema é que muitos mexicanos e analistas criticam a falta de propostas concretas e o que chamam de retórica "populista".

Muitos mexicanos que votaram nele expressam dúvidas sobre seu programa, ao mesmo tempo que ressaltaram a necessidade de uma mudança. Uma das maiores dúvidas diz respeito à relação do novo chefe de estado mexicano com o presidente americano Donald Trump e, sobretudo, como dois modelos tão antagônicos conviverão dos dois lados do Rio Bravo, em temas vitais como a migração e as negociações de um renovado Tratado de Livre-Comércio.

Trump disse que "está desejoso de trabalhar" com o novo presidente mexicano. "Há muito trabalho por fazer que beneficiará Estados Unidos e México”, tuitou Trump, cuja política anti-imigração e contra o livre comércio abalou a relação bilateral. López Obrador afirmou que buscará uma relação de "amizade e cooperação" com os Estados Unidos.

Campanha eleitoral violenta

As eleições encerraram a campanha eleitoral mais violenta da história recente recente do México, com pelo menos 145 políticos assassinados desde setembro (48 eram pré-candidatos, ou candidatos). Um número significativamente maior do que o registrado em 2012, quando nove políticos e um candidato foram assassinados.

(Com informações da AFP)