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Tailândia Mergulho Crianças Adolescente Chuvas

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Treinador pede desculpas a pais de meninos presos em caverna; tempo de resgate está contado

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Familiares dos 12 adolescentes bloqueados em caverna na Tailândia assistem ao vídeo feito por mergulhadores, no dia 4 de julho. REUTERS/Soe Zeya Tun

O treinador de futebol que acompanha os 12 meninos presos há 14 dias em uma caverna inundada na Tailândia enviou neste sábado (7), por meio de mergulhadores, uma carta de desculpas aos pais dos menores. No texto manuscrito, ele promete cuidar das crianças da melhor forma possível. Os garotos também escreveram a seus familiares.


O tempo para salvar o grupo está contado diante da previsão de fortes chuvas na região nos próximos dias, revelou o chefe da missão de resgate. O sentimento de culpa do jovem treinador Ekkapol Chantawong, de 25 anos, está no centro dos debates no país. Ele é alvo de críticas por ter levado os meninos a uma caverna que poderia ficar inundada durante as chuvas de monção.

As operações de socorro aos jovens se transformaram em uma corrida contra o relógio. As autoridades insistem na alternativa do resgate pela parte superior da caverna de Tham Luang, para evitar o trajeto a nado até a entrada do local, distante 4 quilômetros.

Técnicos efetuaram mais de 100 perfurações na superfície, mas ainda não localizaram a posição do grupo, explicou o coordenador da célula de crise, Narongsak Osottanakorn. Ele também é governador da província de Chiang Rai. Os meninos estão em bom estado de saúde, enfatizou o governador, apesar dos temores provocados pela redução do nível de oxigênio.

"Agora e pelos próximos três ou quatro dias, as condições para uma evacuação são perfeitas em relação à água, ao tempo e à saúde dos meninos", disse Osottanakorn. "Temos que decidir o que podemos fazer.

Os socorristas inseriram um tubo de vários quilômetros para transportar oxigênio até o local onde o grupo está refugiado. O nível de oxigênio se estabilizou na caverna, mas o nível de "dióxido de carbono é outro fator" a considerar, destacou o governador.

As chuvas esperadas em breve poderiam reduzir a maior parte da plataforma lamacenta na qual o grupo se refugiou. "A água pode subir até onde as crianças estão sentadas e reduzir essa área a menos de 10 metros quadrados", explicou Osottanakorn, citando estimativas de especialistas e mergulhadores.

"Um pouco de frio"

Após a publicação de dois vídeos, o primeiro gravado quando os mergulhadores britânicos encontraram o grupo na segunda-feira (2) à noite e o segundo, de terça-feira (3), as autoridades não divulgaram mais imagens dos jovens. As cartas escritas pelas crianças a suas famílias são as primeiras provas de vida reveladas desde o início da semana.
   
"Não se preocupem, mamãe e papai. Eu estou fora há duas semanas, mas vou voltar e ajudá-los na loja", escreveu Bew.
   
"Estou bem, mas aqui faz um pouco de frio. Não se preocupem comigo. Não esqueçam de preparar minha festa de aniversário", escreveu Duangphet, que assina a mensagem com seu apelido, Dom.
   
"Se eu sair, por favor me levem para comer moo krata", pediu Piphat, conhecido como Nick, ao mencionar um prato tailandês a base de porco e verduras.
   
As autoridades tentaram estabelecer um canal de comunicação telefônica com um cabo de 2 quilômetros na caverna, para que os meninos conversassem com os pais, mas a ideia não deu certo.
   
Mais de 1.100 jornalistas
   
A operação de resgate chama a atenção da imprensa mundial e mais de 1.100 jornalistas estão no local, com os equipamentos instalados em meio ao barro em uma área de selva tropical.

Um ex-mergulhador da Marinha tailandesa morreu na sexta-feira (6) durante uma operação de abastecimento na caverna. A morte do socorrista provocou dúvidas sobre a possibilidade de um resgate sem riscos para os meninos. O incidente levou o coordenador da célula de crise a afirmar que um resgate por mergulho não era "oportuno".
   
Vários meninos, com idades entre 11 e 16 anos, não sabem nadar e nenhum deles já praticou mergulho, o que complica ainda mais as operações. No momento, um mergulhador experiente precisa de 11 horas para fazer uma viagem de ida e volta até o local em que estão os jovens: seis de ida e cinco para volta, graças à ajuda da corrente. O trajeto inclui passagens estreitas e trechos sob a água.
   
As equipes de socorro formadas por mergulhadores da Marinha, soldados, policiais e voluntários trabalham dia e noite para retirar os meninos da caverna. "O momento crítico será quando chover novamente. (...) O tempo está se esgotando", admitiu o governador de Chiang Rai.