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Novo bloqueio de Israel à Gaza aumenta temor de conflito de maiores proporções

O ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, anunciou na terça-feira (17) restrições à entrada e saída de produtos da Faixa de Gaza através da fronteira com Israel. A decisão aumenta o temor de um novo conflito de grandes proporções, como o de 2014, quando cerca de 1.500 palestinos e 73 israelenses morreram. 

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv 

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, anunciou na terça-feira (17) a proibição de entrada de caminhões com gasolina e gás em Gaza até o próximo domingo, 22 de julho. É uma retaliação a ataques palestinos contra o país, que se intensificaram no fim de semana

Lieberman também afirmou que a entrada de alimentos e remédios ou outros mantimentos humanitários serão estudadas caso a caso. Fora isso, a área de pesca de Gaza será reduzida de seis para três milhas náuticas. 

Na semana passada, o governo israelense já havia reduzido drasticamente a entrada e saída de produtos de Gaza através do único posto de fronteira comercial ainda aberto entre os dois países, o de Kerem Shalom. A outra passagem de produtos para Gaza é pela fronteira com o Egito, que também adotou restrições. 

Desde 2007, quando o grupo islâmico Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, Israel e Egito fecharam quase que completamente as fronteiras com Gaza. Os dois países consideram o Hamas como um grupo terrorista que defende a destruição de Israel e o estabelecimento da lei islâmica no Egito através da Irmandade Muçulmana.

Onda de pipas incendiárias

O governo israelense está sobre pressão da população há três meses, desde que começaram a se multiplicar incêndios criminosos no sul de Israel, destruindo mais de 10 quilômetros quadrados de campos e reservas florestais. Os incêndios não mataram ninguém, mas já houve pelo menos um caso em que um balão inflamável caiu do lado de um jardim de infância. 

A onda de incêndios começou no dia 30 de março, juntamente com uma série de manifestações de palestinos na fronteira entre Gaza e Israel. De alguns explosivos em pipas, aos poucos, ativistas palestinos passaram a acoplar artefatos incendiários em balões de hélio para que causassem incêndios em Israel. Até agora, mais de mil pipas e balões foram lançados de Gaza em direção a Israel com a ajuda dos ventos do Mar Mediterrâneo. Nesta semana, foi descoberta mais uma modalidade: material incendiário preso nos pés de um falcão. 

De acordo com o ministério da Saúde palestinos, cerca de 130 palestinos morreram desde 30 de março nas retaliações israelenses contra manifestantes que tentaram invadir o país ou lançaram foguetes e morteiros contra Israel. 

Na segunda-feira (16), pela primeira vez, a força aérea israelense atacou grupos que lançavam balões e pipas com explosivos. Dois palestinos morreram. 

Há uma discussão interna na cúpula política e militar de Israel quanto a atacar lançadores de pipas e balões. Membros mais à direita do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, querem que eles sejam mortos. Mas os militares não concordam com essa orientação porque essas pipas e balões ainda não causaram mortes do lado israelense.

Reação do Hamas

Já circulam informações de que o Hamas decidiu acabar com a atual onda de ataques contra Israel a partir do próximo domingo (22). Mas, se a escalada da violência na fronteira continuar, há o temor de que, como aconteceu há quatro anos, em 2014, novamente haja um conflito de maior proporção. Outras rodadas de conflito aconteceram em 2009 e 2012. 

No fim de semana passado, essa possibilidade se tornou palpável. Os palestinos lançaram mais de 200 foguetes e morteiros contra Israel, ferindo quatro pessoas depois que um dos foguetes caiu dentro de uma casa. Os moradores de cidades e vilarejos em torno de Gaza foram instruídos a ficar em abrigos antiaéreos dentro das casas ou bunkers públicos.

A Força Aérea israelense atacou mais de 50 alvos na Faixa de Gaza, entre armazéns de armas, campos de treinamento e túneis subterrâneos operados pelo Hamas.

Negociações diplomáticas 

O Egito e a ONU estão tentando mediar um cessar-fogo entre o Hamas e Israel. Mas, paralelamente, eles tentam mediar discussões internas entre facções palestinas em Gaza. 

O Hamas, que controla a região, é aparentemente a favor de uma calmaria porque não estaria interessado, neste momento, em promovar um confronto militar mais grave com Israel. Já outros grupos paramilitares, como a Jihad Islâmica, estariam interessados em uma nova rodada de conflitos para elevar seu status entre a população, insatisfeita com o Hamas. 

O território costeiro com quase 2 milhões de habitantes enfrenta uma crise humanitária. O desemprego gira em torno dos 65%, há blecautes diários de energia elétrica e falta água potável.

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