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Coreia do Norte Nuclear Estados Unidos Donald Trump Kim Jong-Un Cingapura

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E se a desnuclearização da Coreia do Norte for uma farsa?

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Ainda não há nenhuma informação sobre o material atômico do qual dispõe o regime liderado por Kim Jong-un, na foto de 27 de julho de 2018. KCNA via REUTERS ATTENTION EDITORS

Os norte-americanos começam a imaginar a possibilidade de que Kim Jong-un tenha enganado Donald Trump. Quase dois meses após o encontro de cúpula entre os dois chefes de Estado em Cingapura, a dúvida se instala. No entanto, os especialistas concordam em um ponto: de uma desnuclearização, o regime de Pyongyang passa longe. O serviço secreto dos Estados Unidos deu o alerta e relata que os norte-coreanos estão construindo novos mísseis nucleares intercontinentais.


Mísseis de longo alcance, com o poder de atingir mais de 5 mil km. O que isso significa? Que, se a Coreia do Norte for capaz de miniaturizar suas ogivas nucleares e enxertá-las nesses projéteis, ela poderá, em teoria, alcançar a costa leste dos Estados Unidos. Mas isso não é novidade.

O que preocupa o serviço secreto norte-americano, no entanto, é que o programa balístico de Pyongyang continua a pleno vapor, como se nada tivesse acontecido, apesar da cúpula de Cingapura. A situação começou a ficar insuportável para o país, desde que, na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, confirmou que a Coreia do Norte continuava a enriquecer materiais como urânio e plutônio.

Sem informações essenciais relativas à “desnuclearização” do país

Livrar-se de algumas tecnologias que o país já domina não custa nada. O mais importante, em termos de desnuclearização, é a catalogação de informações sobre o assunto. Qual a quantidade de urânio enriquecido ou o número de ogivas nucleares presentes no território?

Durante décadas, a comunidade internacional exigiu uma lista exaustiva do arsenal atômico que estaria disponível no regime norte-coreano. Neste ponto, ainda não há nenhuma informação sobre o material do qual dispõe o regime liderado por Kim Jong-un.

EUA exigem sanções dos países asiáticos à Coreia do Norte

De nada adiantou a afável troca de cartas entre Donald Trump e o líder norte-coreano após a cinematográfica cúpula de Cingapura. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pedirá novas sanções contra o regime norte-coreano aos países asiáticos, durante um encontro regional nesta semana em Cingapura, com o objetivo de convencer a Coreia do Norte a abandonar suas armas nucleares.

O chefe da diplomacia norte-americana vai participar nesta sexta-feira (3) e sábado (4), de várias reuniões ministeriais, incluindo a do fórum regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que também inclui o regime de Pyongyang.

“A Coreia do Norte estará na mesma sala, então haverá discussões que incluirão o país", disse um porta-voz da Casa Branca nesta terça-feira (31). A fonte não descartou uma reunião bilateral entre Pompeo e seu homólogo norte-coreano para dar continuidade às negociações no cumprimento dos compromissos pendentes, assumidos durante a cúpula do 12 de junho.

Em uma declaração conjunta com Donald Trump após o encontro, Kim Jong-un reiterou seu compromisso com a "total desnuclearização da península coreana". Mas o cronograma e as modalidades de implementação desta declaração de intenções foram confiados aos diplomatas dos dois países.

Pompeo, que lidera os negociadores dos EUA, já foi a Pyongyang sem registrar progresso concreto na questão nuclear. Esta tem sido uma fonte de preocupação para muitos observadores, especialmente porque as sanções internacionais estão começando a diminuir e há inúmeros relatos de programas nucleares e balísticos na Coreia do Norte. "Nós também continuamos preocupados" sobre as violações de sanções da ONU contra norte-coreanos, disse o chefe da diplomacia norte-americana, incluindo o comércio ilegal de petróleo pelas vias marítimas, que permitem que Pyongyang, de acordo com Washington, possa superar suas quotas de importação.