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Documentário brasileiro “Zaatari” revela força e poesia de refugiados sírios na Jordânia

Por Márcia Bechara

Zaatari é um imenso campo de refugiados sírios localizado no deserto da Jordânia. Inicialmente criado como uma estrutura transitória, o campo, que hoje abriga cerca de 80 mil pessoas, já se tornou a quarta maior cidade do país, na fronteira com a Síria, segundo informações da rede al-Jaazera. O documentário brasileiro “Zaatari – Memórias do Labirinto” empresta o nome ao campo de refugiados e começa uma trajetória internacional de sucesso, tendo sido exibido no prestigioso canal franco-alemão ARTE. O RFI Convida desta quinta-feira (2) entrevista a produtora-executiva do documentário e co-autora do argumento original, Ana Cláudia Streva.

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na foto acima

Ana Cláudia Streva começou a produzir filmes em 2015, quando criou sua produtora, a Nós. Nesta época, Ricardo Vargas, co-autor do argumento original de “Zaatari”, trabalhava na Organização das Nações Unidas (ONU) como diretor mundial de projetos. “Em uma das nossas conversas, ele me mandou um email sobre o Zaatari, e achei incrível, já acompanhava. Respondi dizendo que queria fazer um filme nesse lugar. Ricado disse: ‘vamos fazer’ “, conta Streva.

Mas filmar num campo de refugiados não é tão fácil assim.  “Através do Ricardo, conseguimos acesso ao campo. Tivemos também o apoio do governo da Jordânia e da Acnur, a agência mundial da ONU para os Refugiados. Através destes parceiros estratégicos, conversamos com o prefeito do campo na época, que hoje, por exemplo, se encontra em Mossul [no Iraque]. Fomos viabilizando este acesso para que a gente pudesse fazer uma pesquisa de personagem, a primeira etapa do filme no campo de refugiados”, relata a produtora.

"Portraits"

A narrativa do documentário é construída a partir de “portraits”, retratos falados com as histórias de personagens carismáticos que habitam Zaatari. “O primeiro personagem que nos extasiou quando ouvimos sua história foi a Fátima, a fotógrafa do filme, uma das protagonistas. Entendemos sua capacidade de refazer a vida diante de toda tragédia. Ela chegou no campo sem o marido, com três filhos; ela continuou viva por causa da fotografia. O pintor de contêineres [com paisagens urbanas sírias] também nos emocionou muito”, detalha Streva.

“É isso que os mantém vivos. É como se eles estivessem em um limbo. Eles não podem voltar para casa, na Síria, e não podem seguir adiante. Eles estão presos ali, nesse lugar onde não existem muitas escolhas”, diz a produtora de “Zaatari”. “Ao longo do documentário, o diretor Pascoal Samora trouxe aquela história de tapar os olhos dos refugiados para acessar a memória das pessoas. Tudo isso trouxe uma riqueza para o filme e foi necessário pra gente desvendar, para conseguirmos entrar nestes personagens”, conta.

Entre 2011 e 2018, a guerra civil na Síria matou mais de 500 mil pessoas e exilou cerca de 5 milhões. Trata-se da pior crise migratória da história da humanidade, desde a Segunda Guerra Mundial.

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