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Coreia do Norte Arsenal Nuclear Petróleo Armas

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ONU diz que Coreia do Norte não interrompeu programas nucleares

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Kim Jong Un visita fábrica de ônibus em Pyongyang nesse 4 de agosto de 2018. Reuters/路透社

A Coreia do Norte recorreu a um "aumento maciço" de transferências ilegais de produtos petrolíferos no mar para driblar as sanções da ONU e contratou um agente sírio para vender armas ao Iêmen e à Líbia, segundo um relatório enviado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.


O documento de 62 páginas também enumera violações à proibição das exportações norte-coreanas de carvão, ferro, mariscos e outros produtos que geram milhões de dólares em receitas ao regime de Kim Jong Un. A transferência de produtos petrolíferos a tanques norte-coreanos continua sendo "um método primário de evasão de sanções" que envolve 40 navios e 130 empresas associadas, descreve a ONU.

Estas violações fizeram com que a última bateria de sanções à península coreana se tornasse "ineficaz", acrescenta o documento, segundo o qual, a Coreia do Norte também "tentou fornecer armas de pequeno e médio porte e outros equipamentos militares através de intermediários estrangeiros" à Líbia, ao Iêmen e ao Sudão.

O texto menciona o traficante de armas sírio Hussein Al-Ali que ofereceu uma gama de armas convencionais e, em alguns casos, mísseis balísticos produzidos na Coreia do Norte a grupos armados.

Em Singapura, onde participa de um fórum da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, fez um chamado para que o mundo mantenha a pressão diplomática e econômica sobre a Coreia do Norte para alcançar uma desnuclearização definitiva e comprovada, com a qual Pyongyang se comprometeu.

Em uma entrevista coletiva, Pompeu acrescentou que pediu aos membros da ASEAN que "imponham rigorosamente todas as sanções, incluindo a paralização total das transferências ilegais de petróleo entre navios" para a Coreia do Norte.

Depois de um aumento da tensão sem precedentes, em 2017, marcada por ataques de mísseis e um teste nuclear pelo regime de Pyongyang, bem como por sanções internacionais cada vez mais rigorosas, o ano de 2018 abriu espaço para o diálogo. Isso culminou na histórica cúpula em Cingapura, em 12 de junho, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

A implementação do acordo

Mike Pompeo está no comando, no lado americano, das discussões para a implementação deste compromisso, mas as negociações patinam.

Desde a cimeira Trump-Kim, Washington lamentou que alguns países, sob a influência da China e da Rússia, tenham começado a aliviar a pressão sobre Pyongyang.

Nesse sábado (4), Pompeo relembrou o compromisso assumido pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, que prometeu continuar implementando as sanções.

O líder da diplomacia americana foi enfático: "O presidente Kim assumiu um compromisso de desnuclearizar o seu país. Devo dizer, depois de minhas reuniões aqui, que o mundo está unido para esse objetivo", assegurou Pompeu. “Estou otimista em nosso sucesso, mas todos sabemos que vai levar tempo", acrescentou.

Em suas conversas com os países do Sudeste Asiático, Mike Pompeo falou ainda sobre a preocupação dos Estados Unidos com a militarização chinesa do Mar do Sul da China. Ele anunciou quase 300 milhões de dólares adicionais em assistência para a segurança na região.

A Coréia do Norte rebateu as declarações do secretário de Estado norte-americano e criticou Washington pela impaciência com o ritmo lento do progresso diplomático. Segundo informou o ministro norte-coreano de Relações Internacionais, o país continua decidido a implementar o acordo alcançado em junho com os Estados Unidos para uma desnuclearização total da península coreana.