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Universidade de Medicina de Tóquio admite ter abaixado notas de candidatas mulheres

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O diretor-geral da Universidade de Medicina de Tóquio, Tetsuo Yukioka (esq.), ao lado do vice-presidente da instituição, Keisuke Miyazawa, em coletiva de imprensa na terça-feira (7). REUTERS/Toru Hanai

Acusada de abaixar as notas das candidatas para reduzir a quantidade de estudantes mulheres, a prestigiada Universidade de Medicina de Tóquio reconheceu publicamente o erro. A instituição prometeu restabelecer a igualdade nas avaliações a partir do início do ano letivo no país, em setembro.


O caso escandaliza o Japão há vários dias, depois de ter sido revelado por um jornal do país, na semana passada. Segundo o diário Yomiuri Shimbun, a Universidade de Medicina de Tóquio teria manipulado durante vários anos as notas dos concursos para admissão com o objetivo de limitar o número de mulheres.

"Com frequência, as mulheres renunciam à carreira na Medicina quando se casam e têm filhos", disse uma fonte ao jornal japonês, na tentativa de justificar a falsificação das notas. De acordo com a publicação, o objetivo da instituição era que o número de estudantes do sexo feminino não ultrapassasse os 30% do total.

Em coletiva de imprensa na terça-feira (7), o diretor-geral da universidade, Tetsuo Yukioka, lamentou que a prática aconteça há vários anos na instituição. "Traímos a confiança do público. Apresentamos nossas mais sinceras desculpas", declarou. Já o vice-presidente da escola, Keisuke Miyazawa, afirmou que esse tipo de injustiça "nunca deveria acontecer".

Prática era realizada há mais de 10 anos

Segundo a imprensa japonesa, as irregularidades na Universidade de Medicina de Tóquio começaram em 2011. No entanto, uma investigação interna demonstrou que essas práticas já aconteciam em 2006, afirmou a agência de notícias Kyodo.

A estratégia para diminuir a quantidade de mulheres na instituição foi descoberta devido a investigações sobre outro caso na mesma universidade, acusada de ter favorecido a admissão do filho de um influente membro do Ministério da Educação. Com as investigações, os jornais descobriram outros casos similares e a manipulação das notas das candidatas do sexo feminino.

Pura discriminação

Trata-se "pura e simplesmente de uma discriminação com as mulheres", disse um dos advogados encarregado da investigação na instituição. Já para a ministra do Interior do Japão, Seiko Noda, a justificativa da dificuldade de trabalhar com mulheres médicas "é extremamente preocupante".

Antes que a medida fosse colocada em prática, a taxa de japonesas que entravam para a Universidade de Medicina de Tóquio era de 40%. No último exame de admissão, realizado neste ano, apenas 30 mulheres foram selecionadas, enquanto 141 homens "passaram nos testes".

As mulheres japonesas, em geral, têm acesso à educação superior e ao mercado de trabalho. No entanto, os hábitos profissionais no país, onde se costuma fazer muitas horas extras, as obriga a abandonarem suas carreiras quando decidem formar família.