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Erdogan desafia Trump e não vai liberar pastor detido na Turquia

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Foto de arquivo de Trump e Erdogan durante cúpula da OTAN em 16 de julho de 2018, em Bruxelas. REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu neste sábado (11) responder às "ameaças" dos Estados Unidos, que visam a liberação de um pastor norte-americano, detido na Turquia. Erdogan não mostrou sinais de apaziguamento em seu impasse contra Washington, o que acentuou a desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar.


Recep Tayyip Erdogan também chamou as taxas de juros do "instrumento de manipulação", que, segundo ele, devem ser mantidas o mais baixo possível. "As taxas de juros devem ser reduzidas ao mínimo porque são um instrumento de exploração, o que torna os pobres mais pobres e os ricos mais ricos", disse Erdogan em discurso em Rize, na região do Mar Negro.

Teoricamente independente, o banco central turco tem resistido nas últimas semanas às pressões do mercado que elevaram as taxas de juros, numa tentativa de lidar com a alta inflação e a desvalorização da moeda nacional.

A lira turca se desatrelou na sexta-feira do dólar, atingindo o seu nível mais baixo desde a crise entre Ancara e Washington, causando preocupação internacional, particularmente no setor bancário. Desde o início do ano, a moeda turca já perdeu quase metade do seu valor contra o dólar.

Dólar versus Alá
   
A crise turca provocou uma onda de choque global, trazendo consigo os principais mercados acionários europeus, todos fechados no vermelho, afetando especialmente o setor bancário.

"Se eles têm o dólar, temos Alá", disse Erdogan, incitando os turcos a não entrar em pânico e, especialmente, a converter suas economias em ouro ou moedas estrangeiras em liras turcas, para apoiar a moeda nacional .

Declarações de choque, sanções, ameaças de represália, depois duplicação das tarifas dos EUA sobre o aço e o alumínio. O ataque de Washington tem crescido nas últimas semanas.

No centro desta batalha está o destino do pastor norte-americano Andrew Brunson, atualmente em detenção na Turquia por "terrorismo" e "espionagem", colocado sob prisão domiciliar no final de julho após um ano e meio na prisão.

Os Estados Unidos solicitaram a sua libertação imediata, enquanto a Turquia pede a extradição de Fethullah Gulen, um pregador turco estabelecido há quase 20 anos em solo norte-americano e suspeito, segundo Ancara, de ser o arquiteto do fracassado golpe de julho de 2016 .