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Envelhecimento da população preocupa potências asiáticas

Em Hong Kong, cada vez menos mulheres querem ser mães. O território chinês tem uma das taxas de fecundidade mais baixas do mundo. Os nascimentos estão em queda, enquanto a população envelhece a passos rápidos. A mudança preocupa cada vez mais o governo local e levanta o debate sobre a criação de benefícios para estimular o aumento das famílias. Este novo quadro demográfico, onde idosos são uma parcela cada vez maior da população, se desenha em outros países da região e vai moldar o futuro da Ásia.

Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

Uma pesquisa da think tank "Youth Ideas" publicada no mês passado mostra que duas em cada dez pessoas em Hong Kong, com idade entre 20 e 39 anos, não querem ter filhos. As razões apontadas são o peso da responsabilidade da criação de uma criança, mas principalmente o compromisso financeiro que isso representa.

Os entrevistados ainda indicam que o alto custo dos imóveis na cidade é outro fator que pesa na hora de decidir o tamanho da família. Duas outras pesquisas feitas por organizações diferentes confirmam que bebês estão cada vez mais fora dos planos no território chinês.

Terceira menor taxa de fecundidade no mundo

Hong Kong é o terceiro lugar do mundo com menor taxa de fecundidade, segundo o Banco Mundial, e fica atrás apenas da Coreia do Sul e de Singapura. Nos últimos 30 anos, os nascimentos estão em queda, mesmo com a região tendo ficado de fora da política chinesa do filho único.

Hoje, a média de filhos por mulher é 1.13, segundo o departamento de estatísticas de Hong Kong. O número é inferior ao necessário para compensar os falecimentos, o que indica o declínio da população nativa. Para se ter uma ideia, no Brasil hoje a taxa de fecundidade é de 1.7 e apesar de ser superior, também preocupa as autoridades brasileiras.

Mudanças no comportamento das mulheres

A mudança no comportamento feminino é outro fator da queda de fertilidade. As mulheres estão cada vez mais independentes, precisam satisfazer menos a vontade de familiares, embora a pressão pelo casamento ainda seja um traço forte nas sociedades chinesas.

Com maior participação no mercado de trabalho e com maior grau de escolaridade, elas passaram a ter menos filhos e a ter filhos mais velhas. A média de idade para o primeiro filho era de 26 anos em 1986, atualmente é de 31 anos. O acesso à informação, a contraceptivos e a interrupção legal da gravidez também reduzem as chances de filhos não planejados.

A competição no mercado de trabalho e os fracos incentivos do governo para a maternidade, fazem as profissionais ainda terem que optar pela gravidez ou pela carreira. Elas continuam sendo as grandes responsáveis pela criação dos filhos, há grande desequilíbrio na divisão de tarefas dentro de casa, enquanto empresas seguem dando preferência a profissionais que não são mães. É difícil retomar a carreira depois da gravidez. Empregos têm horários pouco flexíveis e a estrutura pública para acolher crianças pequenas é insatisfatória.

Hong Kong tem apenas 10 semanas de licença maternidade remunerada, período menor do que o recomendado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT). Já a licença paternidade não passa de 3 dias.

Realidade cada vez mais comum na Ásia

As grandes economias da Ásia caminham para uma crise demográfica que implica em um impacto socioeconômico de longo prazo. Singapura, Macau, Coreia do Sul, Taiwan e Japão têm taxas de fertilidade baixas, ao mesmo tempo que o número de idosos cresce. Esse cenário gera um impacto no mercado de trabalho, mas também nos sistemas de aposentadoria e saúde e até no planejamento urbano.

A mudança no perfil da população fez Singapura, constantemente citada como exemplo de economia liberal, ampliar suas proteções sociais. A cidade-Estado estendeu a licença maternidade para 16 semanas para a mãe e duas semanas para o pai, passou a dar um bônus anual em dinheiro para casais que tiverem filhos (Baby Bonus Scheme) e introduziu semanas extras de licença para ambos os pais, até que a criança complete sete anos.

Desde o ano passado, funcionários públicos passaram a poder tirar até 6 meses de licença, aplicável para a mãe ou para o pai. O governo afirma que agora espera que o setor privado siga esse exemplo e não descarta novos avanços.

Política familiar chinesa

Na China, um quarto da população terá mais de 60 anos em 2030. Hoje, o país já conta com mais de 240 milhões de idosos. Em 2016, o país flexibilizou mais de três décadas da política do filho único, mas a autorização para o segundo filho seduziu um número de chineses menor que o esperado.

O governo central, províncias e municípios têm tentado encorajar os chineses a terem mais filhos. Essa campanha se tornou mais visível nos últimos meses na imprensa estatal e em calorosos debates na internet.

Para Pequim, Singapura é o modelo de desenvolvimento a ser seguido na “Nova Era”, anunciada pelo presidente chinês, Xi Jinping. A China parece disposta a tentar criar condições mais favoráveis para as famílias, como alguns países europeus já fizeram.

Incentivos fiscais, subsídios e licenças maternidade mais generosas são algumas das soluções que estão sendo apresentadas por especialistas chineses. Resta saber quais mecanismos serão priorizados. Em Hong Kong, o governo anunciou na última semana que estuda criar subsídios para empresas com o objetivo de ampliar em quatro semanas a licença maternidade e atingir 14 semanas, como no Japão.

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