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Abalada por sanções americanas Turquia tenta se reaproximar da UE

Por RFI

Termina, nesta sexta-feira (31), em Viena, na Áustria, um encontro de ministros da União Europeia, que contou também com a presença de candidatos ao bloco. Entre os participantes está a Turquia, que agora volta a demonstrar interesse pela Europa depois que a economia do país passou a sofrer retaliações dos Estados Unidos.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

As conversas para a entrada da Turquia na União Europeia começaram em 2005. Até agora, com poucos avanços. Nenhum novo capítulo de negociação foi aberto desde junho de 2016. No mês seguinte, as relações entre Turquia e União Europeia pioraram por causa da tentativa de golpe de Estado e com o estado de emergência instaurado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, que ficou em vigor por dois anos.

Fazia três anos que as autoridades turcas não se reuniam para tratar dos avanços exigidos pela União Europeia e, apesar do aumento das prisões de opositores, jornalistas e professores, o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, prometeu retomar os esforços para a entrada do país no bloco.

Desse encontro na Áustria não deve sair nenhuma grande decisão, assim como nenhum documento oficial, por se tratar de uma reunião informal que acontece a cada dois anos entre os ministros de Relações Exteriores do bloco europeu. Mas é relevante a presença da Turquia entre os envolvidos. Mais do que isso, o governo de Ancara reativou, nesta semana, as discussões internas para a adesão.

O presidente francês já deixou bem claro que não é a favor de um “projeto pan-islâmico e anti-europeu” do presidente turco na Europa. No entanto, foi um dos que entraram em contato com Tayyip Erdogan para expressar apoio a ele após as sanções de Washington contra produtos turcos. O mesmo fizeram Espanha, Itália e Alemanha – o principal parceiro econômico da Turquia.

Sanções sem precedentes

Uma crise na Turquia significa impacto também para as finanças de outros países, uma vez que a economia turca é dependente de importação e de empréstimos de instituições e governos europeus. O país conta com mais de 7.500 companhias alemãs e foi graças a Donald Trump que Turquia e União Europeia se reaproximaram.

No início de agosto, o presidente americano impôs sanções sem precedentes contra seu antigo aliado da OTAN. Foram congelados os investimentos de dois integrantes do governo turco nos Estados Unidos, para onde agora eles também estão proibidos de viajar. Isso por causa de um pastor americano que está preso há quase dois anos sob suspeita de participação na tentativa de golpe de Estado de julho de 2016. Andrew Brunson pode ficar 35 anos na prisão se condenado.

Depois de muitos ultimatos, Washington esperava que ele fosse solto, mas acabou, recentemente, mantido em prisão domiciliar por problemas de saúde, o que deixou a Casa Branca ainda mais inconformada. Na sequência, mais represália. As tarifas sobre o alumínio e aço turcos dobraram. Em resposta, a Turquia elevou as taxas de importações sobre tabaco, álcool, carros, frutas e cosméticos vindos dos Estados Unidos e resolveu comprar um sistema antimísseis de outro país: a Rússia.

Lira turca despenca

Somente neste mês de agosto, a lira turca se desvalorizou em 33%. Na quinta-feira (30), o dólar fechou negociado a TL 6,65. O índice local de confiança econômica é o mais baixo dos últimos 9 anos. É claro que a revanche americana teve grande repercussão nessa crise econômica. Mas o país já não andava bem antes disso. A começar pela desconfiança dos investidores externos em relação ao projeto político turco. Erdogan transformou o sistema de governo em presidencialista, foi reeleito e nomeou como ministro da Economia o próprio genro. O presidente não dá independência ao Banco Central para agir e aumentar a taxa de juros.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) até tentou injetar dinheiro, mas o país recusou e o governo continua a insistir que está tudo sob controle. Só que, para o bolso dos turcos, os preços não param de aumentar. Os gastos com transporte, até o momento, subiram 25% e com alimentos, 20% em um ano. Além disso, a agência de classificação de risco Moody’s baixou o grau de investimento de 20 bancos locais nesta semana, o que dificulta também a obtenção de linhas de crédito e a confiança de parceiros internacionais.

Com uma economia dependente cujas dívidas, muitas vezes, são negociadas em dólar e euro, mas com rendimentos na moeda local, torna-se difícil para as empresas se manterem, ficando assim o medo do desemprego e da recessão.

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