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Presidente filipino faz visita histórica a Israel após comparação a Hitler

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Presidente das Filipinas segurando uma arma em Manila NOEL CELIS / AFP

O presidente filipino Rodrigo Duterte chega neste domingo (2) a Israel, numa visita histórica ao país. O chefe de Estado das Filipinas tem o objetivo de acabar com sua dependência dos Estados Unidos na questão militar, mas as autoridades israelenses estão sendo cautelosas tendo em vista a personalidade forte do dirigente, que já se comparou a Adolf Hitler.


A visita de quatro dias é a primeira de um chefe de Estado filipino desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países há 60 anos, quando a cidade de Manila acolheu milhares de judeus que fugiam do holocausto. O ex-advogado de 73 anos deve participar, ainda nesta noite, de um encontro com personalidades filipinas importantes que trabalham em Israel.

Acompanhado de uma importante delegação, ele irá se encontrar com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanhyau na segunda-feira (3), antes de partir para a Jordânia na quarta-feira (5). “Essa visita é muito importante para nós, ela simboliza as relações fortes e calorosas entre nossos dois povos", declarou o ministério israelense das Relações Exteriores num comunicado.

Duterte foi duramente criticado por Israel em 2016, ao fazer uma comparação entre a campanha contra o tráfico nas Filipinas e a exterminação de judeus por Adolf Hitler. “Hitler massacrou três milhões de judeus. Há três milhões de drogados nas Filipinas. Eu seria feliz de massacrá-los”, disse, na época, antes de pedir desculpas ao “povo judeu”.

Mudança de tom diplomático

A chegada ao poder de Duterte em meados de 2016 se traduziu numa degradação das relações com os Estados Unidos, então governados por Barack Obama. Os dois países se desentenderam com relação à “guerra contra as drogas” lançada pelo presidente filipino, que retrucou com o anúncio da anulação da compra de 27.000 fuzis norte-americanos.

Duterte também cancelou neste ano um contrato de compra de 16 helicópteros canadenses, devido a críticas do governo de Justin Trudeau quanto à situação dos direitos humanos nas Filipinas. O chefe de Estado passou a concentrar seus esforços diplomáticos em Pequim e Moscou, apesar de ter se entendido melhor com o presidente norte-americano Donald Trump que com Obama.

A visita dará a Duterte a ocasião de visitar um outro mercado para as armas, de acordo com Henelito Sevilla, especialista em Relações Internacionais. Israel é um dos primeiros vendedores bélicos no mundo e 60% de suas exportações em matéria de defesa são destinadas à região da Ásia e do Pacífico. Manila, em 2017, se tornou um de seus clientes mais importantes.