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Iêmen Rebeldes Negociações de paz

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Rebeldes do Iêmen impõem condições para retomar negociações de paz na ONU

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Rebeldes houthis impõem condições para participar de diálogo de paz sobre o conflito no Iêmen. REUTERS/FILE

A delegação do governo do Iêmen deu 24 horas, a partir dessa quinta-feira (6), para que os rebeldes hutis desembarquem em Genebra para dar início a uma nova rodada de negociações de paz.


A ausência de uma das partes dificultou o início do debate em Genebra. "Esta reunião foi prevista há dois meses e hoje estamos sozinhos", declarou à imprensa Hamza Alkamali, integrante da delegação do governo iemenita. "Vamos embora se eles (os hutis) não vierem (...) nas próximas 24 horas", garantiu na saída de uma reunião entre o enviado especial da ONU e a delegação do governo, dirigida pelo ministro iemenita das Relações Exteriores, Khaled al-Yamani.

Um pouco mais tarde, o diplomata iemenita disse que o governo não estabeleceu um prazo, e avisou: "Não estamos dando um ultimato a ninguém, mas eu lhes digo que a delegação do governo tomará uma decisão em poucas horas, se permanece na Suíça ou se retira".

Os rebeldes impuseram três condições para discutir o fim do conflito. Eles exigem viajar em um avião de Omã, a transferência dos feridos para Muscat, assim como a garantia de poderem retornar à capital do Iêmen após o encontro.

"Estamos prontos para ir (a Genebra), mas as Nações Unidas não mantiveram suas promessas nos pontos que são alvo de um acordo (prévio) com o seu enviado", acrescentou um delegado do grupo rebelde. "Temos feridos que queremos transferir para Omã e feridos em Omã que queremos repatriar para Sanaa, e isso é alvo de um acordo" com a ONU, completou.

Essas são as primeiras tentativas de diálogo desde o fracasso, em 2016, de um processo de paz que durou vários meses no Kuwait.

A guerra no Iêmen coloca forças pró-governo contra os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã, que em 2014 e 2015 tomaram vastas áreas do país, incluindo a capital, Sanaa. Em março de 2015, uma coalizão sob comando saudita interveio militarmente no Iêmen em apoio às forças pró-governo.

Nessa quinta-feira, a Arábia Saudita interceptou um míssil balístico lançado pelos rebeldes, que explodiu sobre o território saudita, deixando 26 feridos.

Esperança de acordo

Apesar das condições para a participação dos rebeldes no diálogo, o enviado da ONU para o Iêmen, o britânico Martin Griffiths, disse ter esperança de ver a delegação dos hutis presente em Genebra para fazer o processo político avançar.

No cargo desde fevereiro, ele disse estar "consciente das dificuldades que existem para reunir as partes em Genebra", mas garantiu que continuará "se esforçando para superar os obstáculos para que as consultas possam avançar". Terceiro mediador a mergulhar no complexo caso iemenita, Griffiths disse que espera estabelecer "medidas de confiança" entre as partes, como a vacinação infantil, ou a libertação de prisioneiros.

Entretanto, como um sinal do abismo existente entre o governo iemenita e os rebeldes hutis, nenhum encontro frente a frente está previsto.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU pediu ao governo iemenita que "dê um primeiro passo na direção de colocar um fim no conflito", que está na origem de uma das piores crises humanitárias da atualidade.