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25 anos depois, Acordos de Oslo entre Israel e Palestina parecem cada vez mais distantes

Por RFI

Os Acordos de Oslo, assinados no dia 13 de setembro de 1993 em Washington, capital americana, fizeram história. O aperto de mão entre o ex-primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o ex-líder palestino Yasser Arafat, sob o olhar atento do ex-presidente americano Bill Clinton, se tornou uma das imagens mais icônicas do fim do século XX. Por alguns anos, parecia que o acirrado conflito havia chegado ao fim.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv
 
Os acordos receberam seu nome porque foram negociados, em segredo, na cidade de Oslo, na Noruega. Eles previam a criação da Autoridade Nacional Palestina, uma entidade semi autônoma temporária com controle parcial sobre algumas partes da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental, os chamados territórios palestinos. Essa entidade seria substituída, 5 anos depois, por um Estado palestino independente.
 
Em troca, a Organização para Libertação da Palestina, a OLP, reconheceria a existência do Estado de Israel e abriria mão da luta armada contra o país. Mas as boas notícias começaram a desandar em pouco tempo.
 
É difícil apontar todos os motivos, mas certamente um dos principais foi o assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, por um radical judeu que se opunha ao acordo de paz. E, paralelamente, radicais palestinos realizaram diversos ataques terroristas contra israelenses, minando o apoio da população de Israel aos acordos.
 
Os extremistas dos dois lados fizeram com que os principais questões que ainda precisavam ser discutidas, como fronteiras, o status de Jerusalém e o futuro dos rerugiados palestnos – acabassem sendo adiadas.

Do lado israelense, a construção de vilarejos nos territórios almejados pelos palestinos – Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – complicou a situação. Há 25 anos, havia algo como 100 mil israelenses vivendo em vilarejos - chamados de colônias ou assentamentos - nos territórios palestinos. Hoje, são mais de 600 mil apenas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Na Faixa de Gaza não há mais nenhum, já que Israel se retirou da região em 2005.
 
Do lado palestino, a incitação contra Israel e os atentados terroristas contra Israel, principalmente durante a Segunda Intifada, entre 2000 e 2004, levaram os israelenses a duvidar das intenções da liderança palestina. No final das contas, o Estado palestino independente nunca foi realmente criado – apesar de ser hoje reconhecido por cerca de 130 países em todo o mundo.
 
Situação atual
 
Oficialmente, os Acordos de Oslo ainda são uma política oficial, nunca foram realmente cancelados. Os dois lados ainda falam na solução de “Dois Estados para dois povos” – quer dizer: o Estado de Israel vivando lado a lado com um Estado palestino. Mas, na prática, a situação política é outra, um quarto de século depois.
 
Em Israel, o atual governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, do partido conservador Likud, é mantido pela coalizão de partidos mais à direita da História. Para se manter no poder, Netanyahu faz vista grossa ou apoia o investimento nos assentamentos e não toma passos concretos para negociar com os palestinos.
 
Por outro, o atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, lida com uma divisão em seu povo que impossibilita qualquer decisão mais séria. Os palestinos estão divididos entre Abbas e seu partido, o Fatah, que governam a Cisjordânia, e os radicais islâmicos do Hamas, que controlam Faixa de Gaza. O Hamas não reconhece Israel e continua utilizando a luta armada contra o país, lançando milhares de foguetes e mísseis contra o país desde 2001.
 
O resultado é uma erosão no apoio popular à solução de dois Estados e o impasse atual.
 

Perspectivas futuras

A rigor, ninguém realmente sabe o que acontecerá no futuro. Mas já surgem novas ideias para substituir a noção de dois Estados para dois povos. Uma delas é a de apenas um Estado com israelenses e palestinos juntos. Mas ninguém sabe como isso funcionaria, na prática.
 
A curto prazo, a expectativa é que o impasse continue, isso porque o atual governo americano tem tomado passos que desagradam os palestinos, o que invibiliza um novo acordo com os Estados Unidos como moderadores.
 
O presidente Donald Trump transferiu a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém, retirou apoio financeiro para a UNRWA, a agência da ONU de apoio aos palestinos, e ordenou o fechamento do escritório da OLP em Whashington.
 
Somando isso ao governo direitista de Netanyahu e a fraqueza política de Abbas diante do Hamas, a expectativa é de continuação do impasse.
 
Quem sabe daqui a 25 anos se encontre outra solução para um conflito que, no momento, parece ser um nó difícil de ser desatado.

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