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Dia Mundial da Limpeza quer sensibilizar população do planeta sobre resíduos urbanos

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Parisienses limpam arredores da Praça da República. Daniel Finnan

Mais de 150 países estão mobilizados neste sábado para “limpar o planeta” durante o "World CleanUp Day”, o Dia Mundial da Limpeza. Esta é a primeira vez que a data é celebrada desde a criação do movimento, há 10 anos. A iniciativa pretende reunir todas as ações que visam sensibilizar em escalo global os moradores do planeta sobre a proliferação dos resíduos sólidos urbanos. Os organizadores esperam atingir 5% da população mundial nessa grande ação coletiva.


Voluntários, associações, empresas e organizações coletivas ou individuais foram convocados para participar da mobilização apresentada como “o maior movimento cidadão da História”. As ações de limpeza devem ser feitas em um ambiente festivo e unir o maior número possível de pessoas, além da esfera dos ecologistas.

O "World CleanUp Day" nasceu do movimento "Let’s Do It", lançado em 2008 na Estônia. Ele conseguiu mobilizar 4% da população, o que permitiu recolher mais de 10 mil toneladas de dejetos. Diante do sucesso, a ideia prosperou mundo afora.

Em 2014, sete países reuniram cerca de 5% da população em uma mesma data. Na Eslovênia foi registrado o recorde de participação com 15% dos moradores envolvidos em diversas ações.

Para marcar os 10 anos do movimento, “Let’s Do It” teve a ambição de ampliar a manifestação. Do Brasil ao Japão, passando por países da África e de outros continentes, praias, florestas e parques devem passar por um verdadeiro pente fino para eliminar resíduos abandonados.

Foram dois anos de organização para lançar essa iniciativa ambiciosa. “É a primeira vez. É o maior evento cívico no mundo, um amplificar gigante”, celebra Julien Pilette, presidente na França do "World CleanUp Day". No país, estão previstos 1.200 eventos. “Depois da Marcha pelo clima na semana passada, as coisas se aceleram. Nesta ação, as pessoas vão trabalhar, colocar luvas, não temos tempo a perder, temos que agir”, afirmou à RFI. O objetivo na França é atingir 5% da população, ou seja, 3,5 milhões de pessoas.

Problemas de plásticos e bitucas

No Brasil, as ações são organizadas pelo Instituto Limpa Brasil, uma organização sem fins lucrativos responsável pela execução no país das diretrizes do movimento “Let’s Do It”. Em sua página internet, a instituição afirma ter feito ações em mais de 20 cidades brasileiras, envolvendo 180 mil pessoas, e já ter recolhido 3,2 toneladas de lixo que foram distribuídos a cooperativas de catadores.   

Além de despertar a consciência em nível global sobre o problema da destinação adequada para os resíduos urbanos, essa iniciativa cidadã pretende sensibilizar as pessoas sobre gestos cotidianos. Na França, por exemplo, são jogadas 30 bilhões de bitucas de cigarro todos os anos nas ruas e locais públicos. “Um em cada dois vai parar no chão. É uma catástrofe. Para cada bituca, são 500 litros d’água poluídos", exemplifica Pilette.

Águas poluídas por material plástico. Getty Images/Burak Karademir

Apesar de despertar o interesse de vários cidadãos, essa jornada é acompanhada de um questionamento mais amplo: certas associações insistem que é preciso uma mobilização permanente para resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos.

A ONG Zero Waste France milita para uma redução dos produtos plásticos. “Em relação a esse tema, os anúncios do governo francês enfocam a reciclagem. É importante, mas insuficiente”, defende Flore Berlingen, diretora da organização.

Em maio passado, a Comissão Europeia propôs uma diretiva para proibir totalmente objetos plásticos como copos, pratos, canudinhos e até cotonetes. A categoria de produtos descartáveis é vasta e representa cerca de 70% dos resíduos lançados nos mares e oceanos. Na França, os copos e pratos plásticos descartáveis serão proibidos a partir de 2020.  

(Com reportagem de David Pauget)