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Brasileiros que querem se mudar para Israel esperam resultado das eleições para tomar a decisão

Por Daniela Kresch

A imigração brasileira para Israel continua em alta. Segundo dados oficiais do governo, de 1° de janeiro a 12 de agosto deste ano, desembarcaram “de mala e cuia” no país do Oriente Médio 416 brasileiros. Se continuar nesse ritmo, a imigração brasileira vai superar a de 2017, que totalizou 678 pessoas de janeiro a dezembro.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

O fenômeno de judeus que imigram para Israel é chamado de “aliá”, que quer dizer “subida” em hebraico. Para Gladis Berezowsky, fundadora da ONG Olim do Brasil, que ajuda brasileiros na adaptação ao novo país, o número de imigrantes pode aumentar muito perto do fim do ano. Isso porque os candidatos à mudança de nação estariam esperando os resultados das eleições para decidir se vão ou não tomar a complexa decisão.

“Esse ano devem chegar um pouco mais do que o ano passado, não acredito que chegaremos aos mil como estão falando no Brasil”, diz Gladis. “Mas até agora chegaram mais de 400. No ano passado, vieram 670, e acredito que nesse ano vamos chegar a 800. Talvez alguns brasileiros estejam esperando os resultados das eleições em outubro para decidir o seu futuro”.

É o que também afirma Gerson Lerner, diretor da ONG Beit Brasil, que promove atividades relacionadas aos imigrantes brasileiros. Para ele, haverá um aumento na imigração, com uma maior quantidade de brasileiros interessados em se mudar para Israel, mas que ainda estão refletindo antes das eleições.

“A tendência é aumentar essa ‘aliá’. A questão é que, como a situação no Brasil é de incerteza eleitoral, talvez isso dê uma pausa nas decisões que as pessoas estejam tomando por lá. Continua extremamente alta a procura e a busca de informações para saber como pode ser a vida aqui em Israel”.

Perfil de imigrantes mudou

Desde sua fundação, em 1948, Israel vinha recebendo uma média de 150 a 200 imigrantes brasileiros por ano. Mas, desde 2014, esse número não para de crescer. Além disso, houve também uma mudança no perfil do imigrante: no passado, eram jovens com menos de 30 anos, de origem judaica e que defendiam a ideologia sionista - de que Israel é o lar nacional dos 14 milhões de judeus do mundo.

Já os mais recentes são pais de família que citam a crise econômica e a violência urbana como os motivos para a mudança. E nem todos são necessariamente judeus - são, às vezes, convertidos ou casados com pessoas de origem judaica.

“O perfil de cada ‘aliá’, de cada imigração em Israel nos últimos anos, é diferente”, diz Gladis. “Mas a ‘aliá’ do Brasil, especificamente, é uma ‘aliá’ que busca um país melhor para viver, com menos violência urbana e com uma economia em crescimento. São famílias inteiras, jovens, com crianças pequenas, que querem o melhor para as novas gerações e para os filhos. Um horizonte melhor e um país com economia forte, um país inovador e capital da alta tecnologia mundial.”

No ano passado, o Brasil ficou entre os cinco países com mais imigrantes em Israel. Só perdeu para a Rússia, a Ucrânia, a França e os EUA. Entretanto, segundo Gladis Berezowsky, os israelenses só consideram uma grande imigração a que totalizar mais de 2 mil pessoas por ano. Isso faz com que não haja uma atenção especial para a ‘aliá’ brasileira, por enquanto.

Brasileiros que chegam não querem mais ir embora

Mas a grande maioria dos imigrantes se mantém no novo país – diferentemente do que tem acontecido com os brasileiros que foram para Portugal nos últimos anos. É o que diz Gerson Lerner: “Do pessoal que está chegando, a grande maioria tem ficado. Existem alguns casos de retorno, mas isso não é nada comparado com o número de brasileiros que está vindo”.

Gladis Berezowsky corrobora essa afirmação, dizendo que, mesmo que não haja uma estatística oficial, a tendência dos imigrantes brasileiros em Israel é permanecer no país: “Ele já faz todo esse trabalho de carregar os filhos, de trazer toda a sua vida que tinha no Brasil para cá. Ele não vem com a intenção de voltar”.

O casal Gisele e Eduardo Balassiano com os filhos, Tatiana e Fernando, em Israel Album de família

Esse é o caso do casal carioca Eduardo Balassiano, de 45 anos, e Gisele Balassiano, 43, que chegaram recentemente em Israel com os dois filhos, Tatiana, 12, e Fernando, 5. Eduardo e Gisele escolheram a cidade de Kiryat Yam, no norte do país.

Eles planejaram a mudança nos mínimos detalhes para não serem surpreendidos: “Talvez, se a gente não tivesse feito esse planejamento, deixaríamos um monte de coisas pendentes para as pessoas com quem a gente deixou uma procuração. A gente fez até um projeto, com as atividades que a gente ia fazendo, com o que estava planejado e com a parte feita. A gente colou isso na parede da sala para não esquecer nada”, disse Gisele Balassiano.

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