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Tanzânia Tragédia Naufrágio Balsa

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Sobe para 209 o número de mortos em naufrágio de balsa na Tanzânia

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Voluntários arrumam caixões com os corpos dos passageiros que estavam no balsa MV Nyerere que naufragou no lago Vitória, 22 de setembro 2018 REUTERS/Jackson Njehia

O último balanço do naufrágio da Balsa MV Nyerere na Tanzânia, divulgado neste sábado (22) pela rádio pública do país, elevou para 209 o número de mortos. A emissora citou o ministro tanzaniano dos Transportes, Isack Kamwelwe como fonte da informação.


No terceiro dia das operações de resgate uma pessoa foi retirada com vida dos destroços. Segundo um deputado local, o sobrevivente é um engenheiro que trabalha na Balsa e conseguiu permanecer consciente ao ficar preso em um compartimento que não foi invadido pela água. No entanto, as autoridades disseram que a partir de agora será quase impossível encontrar outros sobreviventes.

Mesmo após 48 horas, ainda não se sabe com exatidão quantas pessoas estavam a bordo. Muitas testemunhas relataram que os passageiros desequilibraram a balsa ao se deslocar ao mesmo tempo para a frente da embarcação quando ela se aproximava do destino final. Outras dizem que o comandante estava olhando para o celular e teria errado a manobra de atracação.

Negligência

Uma coisa é certa, o navio estava sobrecarregado. O número de mortos já é duas vezes maior que a capacidade máxima estimada de 100 passageiros, isso sem contar os 41 sobreviventes.

Neste fim de semana, as bandeiras estavam a meio mastro, no primeiro de quatro dias de luto nacional. O presidente da Tanzânia, John Magufuli, manifestou "profunda tristeza" com o desastre e pediu aos moradores que "permaneçam tranquilos em um momento difícil". Ele também exigiu a prisão de todos os administradores e responsáveis pela manutenção da balsa.

John Mnyika, líder do Chadema, principal partido de oposição, afirmou à AFP que várias vezes denunciou a negligência com que as condições de transporte foram tratadas. “Muitas vezes alertamos para as condições ruins das balsas, mas o governo ignorou”, disse. Mnyika disse que a sobrecarga na embarcação reflete "outra falha das autoridades" e criticou os trabalhos de resgate "insuficientes".

Há seis anos, 144 pessoas morreram ou foram consideradas desaparecidas depois que uma balsa sobrecarregada naufragou na ilha de Zanzibar. Em 1996, quase 700 pessoas morreram no naufrágio de uma balsa também no Lago Vitória.