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Indonésia Terremoto Tsunami

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Em meio ao caos, Indonésia intensifica esforços para encontrar sobreviventes

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Missões de resgate se multiplicam no aeroporto de Palu RFI/Bertrand Haeckler

A Indonésia ainda tenta se recuperar após o tsunami que abalou as ilhas Celebes, há cinco dias. O último balanço apontou 1.400 mortos. As autoridades vão continuar as buscas por sobreviventes até a sexta-feira (5), que podem estar presos nos escombros.


Dos correspondentes da RFI em Palu, Joël Bronner, Vincent Souriau e Bertrand Haecler

Em Palu, a ajuda oficial começa, finalmente, a se tornar um pouco mais presente e visível. No lugar de alguns militares que, até então, permaneceram em sua maioria em centros de distribuição de comida, os soldados estão mais dispersos nas diversas ruas da cidade.

Dezenas de caminhões chegaram e também várias equipes de socorros. Os helicópteros que sobrevoam a cidade também aumentaram em número. Somente no quinto dia após a catástrofe é que a resposta do governo começa a ser adequada à calamidade.

“Há especialistas, muitos médicos, mas nenhuma infraestrutura”, diz o coronel Ahmad Zumaro, supervisor das operações de resgate no aeroporto de Palu. “O terremoto também afetou os hospitais e os profissionais se abrigaram no interior, enquanto os pacientes fugiram. A situação está fora de controle”, detalha.

Os feridos foram instalados em macas perto das pistas do aeroporto, à espera de serem evacuados em Macaçar, capital das Celebes, com o olhar vazio. “Às 18h, o sol se pôs, tudo começou a tremer e um buraco apareceu, enorme. Uma cratera de 20 metros”, conta Hamdan, morador do bairro do hotel Roa Roa, um dos locais mais afetados pelo terremoto.

“Quase todos os que estavam lá morreram. Há dez sobreviventes, éramos uma centena. Perdemos um bebê de três meses. Você viu minha irmã, essa daqui? Passou cinco horas debaixo da terra”, declarou Hamdan à RFI.

Cheiro de morte

Na cidade, o cheiro de cadáver em decomposição lembra a todos a amplitude da catástrofe. Um odor presente na praia onde há ainda muitos corpos sob as casas que afundaram ou perto dos necrotérios improvisados próximos ao hospital.

Em um deles, os habitantes procuram conhecidos, pessoas que desapareceram e que não deram mais notícias. Eles checam os objetos pessoais no chão para ver se reconhecem alguém. Palu se tornou um cemitério a céu aberto onde a vida tenta, arduamente, recuperar seus direitos.