rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Turquia divulga imagens de agentes sauditas suspeitos da morte de jornalista

Por RFI

A polícia turca já identificou sete suspeitos pelo desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, de 59 anos. Há oito dias, ele entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul e nunca mais foi visto. Os indícios são de que eles fazem parte de um grupo de 15 pessoas dos serviços de inteligência sauditas que chegaram à Turquia em dois aviões particulares na data do sumiço do dissidente.

Fernanda Castelhani, correspondente em Istambul

O jornal turco pró-governo "Sabah" publicou nesta quarta-feira (10) os nomes de 15 agentes dos serviços de inteligência da Arábia Saudita suspeitos de envolvimento no caso. As autoridades turcas chegaram a eles analisando gravações de câmeras de segurança localizadas na rua do consulado – uma vez que os sauditas afirmam que, justamente daquele dia, não há registros internos. O canal turco 24 TV também exibiu hoje as imagens captadas pelas câmeras.

Na gravação, aparecem os sete suspeitos ingressando no complexo uma hora antes de Khashoggi e saindo de carro quase três horas depois em direção à casa do cônsul saudita – a 200 metros dali, de acordo com os policiais turcos.

De acordo com o editor do diário "Aksam", Murat Kelkitlioglu, entrevistado durante a apresentação das imagens pelo canal 24 TV, é "certo" que Khashoggi foi transportado naquele carro, "vivo ou morto".

As investigações também apontam que funcionários turcos do consulado tiveram um dia de folga exatamente na data em que o jornalista desapareceu.

Um dos nomes citados pela imprensa local como integrante da "equipe de assassinato" do jornalista é o de Salah Muhammed Al-Tubaigy, tenente-coronel do Departamento de Medicina Legal saudita.

Jornalista criticava o regime

Jamal Khashoggi deixou seu país no ano passado para se exilar nos Estados Unidos. Por anos, foi visto como alguém próximo da família real saudita. Mas, com a ascensão do príncipe Mohammed, filho do rei Salman, colegas de trabalho de Jamal acabaram presos e ele chegou a declarar que temia pela própria vida. Em território americano, passou a escrever artigos para o "Washington Post", com críticas ao príncipe herdeiro.

No dia 2 de outubro, o jornalista foi à representação diplomática em Istambul obter documentos para o seu futuro casamento com a noiva, que é turca. Policiais locais acreditam que o governo de Riad sabia que o jornalista visitaria novamente a repartição na terça-feira da semana passada porque ele já havia estado lá anteriormente e foi orientado a voltar neste dia em que acabou desaparecido. Pouco antes de entrar, Jamal deixou seu celular com a noiva, que ficou do lado de fora do consulado, e pediu que ela entrasse em contato com as autoridades caso ele não retornasse, segundo depoimento dela.

As autoridades turcas pediram, e, num gesto de cooperação da Arábia Saudita, a polícia foi autorizada a iniciar em breve buscas dentro da missão diplomática. A avaliação turca é de que Jamal foi assassinado no local num crime premeditado pelo regime saudita e que o corpo foi retirado do prédio – acusação que, segundo o regime saudita, não tem nenhum fundamento.

Arábia Saudita teme retaliação dos EUA

A Turquia, um dos países que mais aprisionam jornalistas no mundo, está sendo colocada na curiosa posição de brigar pela causa justamente de um comentarista dissidente. Mas todas as informações-chave do processo, até agora, foram divulgadas por meio de vazamentos e declarações anônimas.

Além de parceiros do conflito na Síria, onde apoiam os opositores sunitas contra o regime xiita do presidente sírio Bashar Al-Assad, Turquia e Arábia Saudita são grandes parceiros comerciais. O território saudita está entre os principais destinos das exportações turcas e mais de meio milhão de turistas sauditas visitam as cidades turcas todos os anos. Por isso, Ancara tem sido bem cautelosa em não direcionar ataques diretos à dinastia amiga e analistas acreditam que este caso, talvez, estremeça um pouco o relacionamento entre os países, mas não vá gerar nenhum rompimento.

O receio da Arábia Saudita é, na verdade, de sofrer retaliação de outro parceiro diplomático: os Estados Unidos, país de residência do jornalista desaparecido. Esta é uma grande oportunidade para a Turquia se reaproximar da Casa Branca. Está nas mãos do governo de Ancara se mostrar empenhado em solucionar com clareza o caso que, apesar de envolver um domínio estrangeiro em solo turco, ocorreu dentro do país.

Extrema direita alemã cria plataforma para controlar debate político nas escolas

Jornalista saudita teria sido torturado por sete minutos, diz imprensa turca

Em momento conturbado na Arábia Saudita, Brasil enfrenta Argentina em amistoso

Merkel perde maioria na Baviera e extrema direta entra no parlamento regional

Trump pressionado para agir contra a Arábia Saudita em caso de jornalista desaparecido

Favorito, Bolsonaro foca no Nordeste de Lula e Haddad aposta no 2° turno

Justiça americana vive momento decisivo na disputa entre conservadores e liberais

Tentando reaproximação com Merkel, Erdogan é recebido com protestos em Berlim

Protestos contra padre acusado de abuso sexual marcam visita do Papa aos países bálticos