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Trump pressionado para agir contra a Arábia Saudita em caso de jornalista desaparecido

O provável assassinato de um jornalista saudita em um consulado turco pode desestabilizar a política dos Estados Unidos no Oriente Médio. A Turquia e a Arábia Saudita concordaram em lançar uma investigação conjunta sobre o desaparecimento de Jamal Khashoggi, correspondente saudita do jornal The Washington Post e crítico ao regime de Ryad.

De Washington, Nathália Watkins para a RFI Brasil,

O jornalista desaparecido, de 59 anos, vive exilado nos Estados Unidos desde 2017 e foi visto pela última vez no dia 2 de Outubro, após ter entrado no consulado da Arábia Saudita em Istambul para obter um certificado de divórcio.

Os Estados Unidos anunciaram o envio de investigadores, apesar de a Turquia ter negado o envio de uma equipe ao país. O caso lança desafios geopolíticos e pode impactar a relação calorosa que o presidente americano Donald Trump estabeleceu com a Arábia Saudita desde o início do seu governo.

A repercussão

O caso ganha mais destaque com o passar dos dias. Vários congressistas se manifestaram em redes sociais e demostraram preocupação com o destino de Khashoggi, assim como o vice-presidente Mike Pence e o Secretário de Estado, Mike Pompeo. Um grupo bipartidário de senadores enviou uma carta ao presidente Donald Trump que exige investigações e abre caminho para a imposição de sanções contra a Arábia Saudita. Mas, no quadro atual, dificilmente o republicano tomará ações enérgicas contra o país aliado.

No início da semana, Trump se limitou a dizer que “não gosta de ouvir sobre o assunto” e, apesar de estar cada vez mais pressionado para se envolver diretamente no caso, se contentou dizer que ficaria furioso se o assassinato fosse confirmado. Trump se recusou a castigar a Arábia Saudita com a suspensão da venda de 110 bilhões de dólares em armas, proposta anunciou logo em sua primeira viagem como presidente.

Em retaliação ao sumiço do jornalista, a revista The Economist, o jornal The New York Times e os canais CNN e CNBC cancelaram suas participações um evento econômico em Ryad, previsto para o fim do mês. Já o empresário Richard Branson, da Virgin, suspendeu a negociação sobre o aporte de 1 bilhão de dólares para um projeto espacial.

Impacto geopolítico

Os Estados Unidos são bastante dependentes do apoio da Arábia Saudita em suas políticas ligadas ao Oriente Médio e se aproximaram ainda mais de Ryad durante o governo Trump. É com o apoio de Ryad que os americanos trabalham para conter o Irã, inimigo de ambos os países.

A parceria também é crucial para o setor petroleiro e na controversa operação liderada pelos sauditas no Iêmen. Atualmente, Donald Trump diz ter uma forte relação com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que foi impulsionada por seu genro, Jared Kushner, que também é assessor da Casa Branca. Kushner cultivou uma relação próxima com o país e apoiou Bin Salman quando ele manobrava para se tornar herdeiro de seu pai. Mas Bin Salman, de 33 anos, pode não ser o reformista que muitos acreditaram.

Caso o assassinato se confirme, as prioridades e estratégias americanas no Oriente Médio terão de ser repensadas. O caso pode ainda causar uma ruptura entre a Arábia Saudita e a Turquia, que vêm disputando silenciosamente influência e poder no mundo sunita. Para os sauditas, a Turquia já está se aproximando demais do Catar. Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, poderia usar a questão para reforçar o perfil da Turquia como um país islâmico moderado em relação ao reino saudita.

Ainda há dúvidas?

Por enquanto, todas as evidências de áudio e vídeo apontam para a hipótese de que, de fato, o jornalista não tenha saído vivo do consulado. Há rumores de que o plano original seria capturá-lo e não matá-lo. De qualquer modo, o mandante da ação não parece ser questionado por turcos ou americanos.

A inteligência de Ancara acredita que Khashoggi tenha sido morto pelo governo da Arábia Saudita e anunciou ter evidências de que o jornalista do Washington Post fora torturado, assassinado e desmembrado por um grupo de 15 sauditas. Já a imprensa americana noticia que discussões sauditas sobre o plano contra o jornalista foram interceptadas pela inteligência.

De fato, a Arábia Saudita parece ter bons motivos para querer calar Khashoggi. Ex-editor de jornal e consultor do ex-chefe de inteligência de seu país, ele é forte crítico da política saudita na guerra do Iêmen e da repressão de dissidentes.

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