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Em momento conturbado na Arábia Saudita, Brasil enfrenta Argentina em amistoso

A seleção brasileira de futebol vai enfrentar a Argentina nesta terça-feira (16), na cidade de Jeddah, na Arábia Saudita, em um amistoso que começa às 15 horas no horário de Brasília. A partida é realizada em um momento conturbado para o país, devido ao desaparecimento de um jornalista saudita na Turquia. 

Tiago Leme, colaboração especial para a RFI de Jeddah 

Há críticas pelo fato de a seleção brasileira jogar em um país com regime ditatorial, no momento em que o jornalista Jamal Kashoggi, um crítico do governo saudita, desapareceu e teria sido assassinado dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul. 

Na segunda-feira (15), o atacante Neymar, capitão da seleção, foi questionado sobre a questão em entrevista coletiva, mas não quis se aprofundar, afirmando que não tem domínio sobre o tema. A CBF também preferiu não se envolver e disse que o Brasil está na Arábia apenas para jogar futebol. 

O que se nota é que existe um esforço do governo árabe em mostrar a modernização e evolução do país em alguns pontos. No entanto, as autoridades evitam falar sobre o caso do desaparecimento de Kashoggi.

Direitos das mulheres

O clássico sul-americano acontece em um dos países mais conservadores do planeta, com uma cultura muito diferente do mundo ocidental, e isso inclui os direitos das mulheres. No entanto, algumas mudanças vêm acontecendo nos últimos meses, e as principais novidades são as autorizações para as mulheres frequentarem estádios de futebol e também para poderem dirigir veículos motorizados, o que era proibido até então na Arábia Saudita

O amistoso desta terça-feira terá a presença de mulheres nas arquibancadas, mas em um setor reservado especialmente para elas. Desde o início deste ano, pessoas do sexo feminino foram autorizadas a assistir a jogos de futebol nos estádios da Arábia Saudita, o que é considerado um avanço, já que antes isso era proibido. 

Mas ainda há certas restrições. Assim como aconteceu na partida da última sexta-feira (12) entre Brasil e Arábia Saudita em Riade, no estádio King Abdullah, as mulheres ficarão em um setor separado dos homens solteiros, em uma área reservada para as famílias, onde é permitida a entrada também de crianças e dos homens casados que estiverem acompanhados pela esposa.

Desde junho, as mulheres também foram autorizadas a dirigir veículos motorizados pelas ruas do país, uma conquista que dá a elas um pouco mais de independência. Mas falta de emancipação das sauditas ainda é chocante. Em restaurantes, lojas e lugares públicos, por exemplo, as mulheres sempre têm uma área separada para elas, assim como nos estádio, nunca há essa mistura com homens solteiros. Além disso, todas as mulheres devem vestir com a “abaya”, uma roupa típica árabe, quase sempre preta, que esconde todo o corpo, deixando apenas o rosto descoberto, e, em muitos casos, apenas os olhos ficam à mostra.

Choque cultural

Ao visitar o país, o choque cultural para os ocidentais é muito grande. As restrições na Arábia Saudita são maiores que em outras nações árabes. Por exemplo, as bebidas alcoólicas são completamente proibidas, não são comercializadas nem mesmo em hotéis para estrangeiros, coisa que acontece em países próximos como os Emirados Árabes. 

Mesmo sob um calor de 40°C, os homens não andam de bermudas nas ruas da capital Riade, isso não é visto com bons olhos. Raríssimos exibem as pernas em Jeddah, uma cidade litorânea e um pouco mais liberal. 

As cinco rezas diárias do islamismo também são seguidas com afinco. Na hora da oração, todos os estabelecimentos comerciais fecham por alguns minutos. As mesquitas estão espalhadas em praticamente cada esquina, mas muçulmanos podem frequentá-las. 

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